OEA adia reunião sobre crise entre Equador e Colômbia

Falta de consenso sobre o texto final faz com que encontro seja retomado às 13 horas desta quarta-feira

Agência Estado,

05 de março de 2008 | 04h17

O Conselho Permanente da OEA suspendeu para esta quarta-feira, 5, após mais de seis horas de negociações, a elaboração de uma resolução sobre a crise entre Equador e Colômbia, diante da falta de um consenso sobre o texto final. A reunião foi transferida para às 11 horas (13 horas de Brasília).   Veja também: Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc  Entenda a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela  Histórico dos conflitos armados na América do Sul   Correa diz que irá 'até as últimas conseqüências por soberania' Lula pede investigação da OEA sobre crise Colômbia-Equador Análise: 'É possível que as Farc se desarticulem'   Ouça relato de Expedito Filho, enviado especial ao Equador    O texto da resolução tem somente três artigos, mas o desacordo está no último, no qual alguns embaixadores disseram que era apenas uma questão de redação. O primeiro parágrafo reafirma o princípio de que o território de um Estado é inviolável; o segundo se refere a constituir uma comissão encabeçada pelo secretário-geral José Miguel Insulza para que visite locais designados pelos dois países. O terceiro propõe uma reunião de chanceleres para 17 de março para que se "examine os fatos e se adote medidas para remediar esta situação". A Colômbia quer que, depois da palavra "fatos", se escreva "denunciados por Equador", o qual tem sido rechaçado pela delegação deste último país.   Desculpas públicas   No debate, a Colômbia pediu novamente "desculpas públicas" ao Equador pro sua incursão, mas Quito disse que o gesto era insuficiente se não se derem as três condições que mencionou em seu projeto de resolução. A Colômbia justificou argumentando que foi uma ação contra o terrorismo, e pediu que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, seja investigado por sua ligação com a guerrilha. Funcionários colombianos disseram que o plano de Bogotá era tentar debilitar uma possível condenação pelo ataque em território equatoriano e invocar o direito de legítima defesa, como contempla o Artigo 51 da Carta da ONU. A idéia do governo, segundo vários funcionários, era destacar o apoio dado pelo Equador e a Venezuela a um grupo considerado terrorista pelos EUA e a União Européia. A Carta da ONU e as Resoluções 1.368 e 1.373 do Conselho de Segurança advertem aos países das conseqüências de apoiar ou dar abrigo a grupos terroristas. Essas resoluções foram usadas para justificar os ataques dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, como resposta aos atentados de 11 de Setembro de 2001.   Espera-se que a Colômbia também leve a questão do apoio de Chávez às Farc ao Conselho de Segurança da ONU. Na terça-feira, o governo colombiano disse ter descoberto no computador de Raúl Reyes - o número 2 das Farc morto no ataque de sábado - documentos dizendo que Chávez havia dado recentemente US$ 300 milhões às Farc, além de armas.   O embaixador da Colômbia na OEA, Camilo Ospina, pediu desculpas pelo bombardeio, mas destacou que foi contra uma "máfia narcotraficante" e disse que seu país tem "sérios indícios" de que há campos das Farc no Equador. "Meu país reclama que as coisas sejam chamadas por seu nome: as Farc são uma máfia narcotraficante, que não representa em nada os interesses do povo colombiano", disse Ospina. Ele também negou que o governo colombiano soubesse dos contatos entre as Farc e o governo equatoriano, como afirma Quito.O Equador, por sua vez, acusou a Colômbia de cometer uma "violação premeditada" de sua soberania. "Nenhuma força militar regular ou irregular pode atuar no território do Equador", disse a embaixadora equatoriana María Salvador. Ela pediu à OEA que convoque uma "reunião urgente" dos chanceleres das Américas, no mais tardar até o dia 11, para tratar da crise diplomática com a Colômbia, solicitação apoiada por Ospina. "Solicito à OEA que condene a violação território equatoriano e a soberania do Equador e designe de forma imediata uma comissão para investigar o caso", disse a embaixadora equatoriana.   (Com Agências internacionais)   Matéria ampliada às 8h15.

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiaEquadorFarcOEA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.