OEA aprova resolução sobre crise entre Equador e Colômbia

Chanceleres e embaixadores daOrganização dos Estados Americanos (OEA) chegaram a um acordona madrugada de terça-feira em torno de uma resolução que buscareparar as abaladas relações entre Colômbia e Equador, após asferidas deixadas pela crise regional deflagrada pelo bombardeioa um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(Farc) no Equador. Depois de negociações que atravessaram toda a segunda-feirae se estenderam até as primeiras horas da terça-feira, osdiplomatas da OEA aprovaram um documento, que foi recebido comreservas pelos Estados Unidos. A resolução enfatiza os pontos acordados pelos presidentede Colômbia e Equador na reunião do Grupo do Rio, realizada noinício do mês na República Dominicana. O texto busca "garantir a paz e a segurança do continente","assegurar a solução pacífica das controvérsias que surjamentre os Estados membros" e foi aclamado e aplaudido de pépelos diplomatas. "Não há dúvida que encontramos mais uma vez nosso firmecompromisso com o cumprimento de nossos ideais e de nossosprincípios", disse o chanceler da República Dominicana, CarlosMorales Troncoso, que presidiu a reunião, ao comentar odocumento. No começo do mês, militares colombianos atacaram umacampamento das Farc e mataram um dos líderes da guerrilhaconhecido como Raúl Reyes, o que gerou uma profunda crise, aqual somaram-se Venezuela e Nicarágua em apoio ao Equador. Os Estados Unidos apoiaram o texto, mas expressaramreservas sobre o ponto que rejeita o bombardeio colombiano aoacampamento das Farc em território equatoriano. ParaWashington, a Colômbia agiu em legítima defesa ao realizar oataque. Os chanceleres de Equador e Colômbia aprovaram o documentode nove pontos que, para países como Brasil e Venezuela,reforça a autoridade dos países latino-americanos de solucionarproblemas no marco do Grupo do Rio, do qual os EUA nãoparticipam. A resolução reafirma o respeito à soberania territorial dosEstados, registra o pedido de desculpas de Bogotá pelobombardeio e reitera "o firme compromisso" dos 34 países da OEAde combater a ação de "grupos irregulares" na região, comoqueria o governo colombiano. "(A OEA) reitera o firme compromisso de todos os Estadosmembros de combater as ameaças à segurança provenientes da açãode grupos irregulares ou de organizações criminosas, emparticular aquelas vinculadas a atividades do narcotráfico",afirma o texto. Os diplomatas chegaram a um acordo após horas de impassedevido à pressão do ministro das Relações Exteriores, CelsoAmorim, que defendeu que uma resolução dos chanceleres nãopoderia desautorizar as declarações feitas pelos presidenteequatoriano e colombiano na reunião do Grupo do Rio. Isso aconteceu, segundo fontes diplomáticas, durante aspersistentes divergências entre Equador e Colômbia em relação àinclusão no documento de uma menção sobre o combate aoterrorismo. O Equador buscava concentrar o documento na rejeição àviolação de seu território, enquanto a Colômbia tentava incluiro tema da obrigação dos Estados de combater grupos criminosos etransnacionais. Para a Colômbia, assim como para os Estados Unidos e para aUnião Européia, as Farc são uma organização terrorista, masalguns países latino-americanos não classificam o grupo destaforma. (Reportagem de Adriana Garcia)

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