OEA critica 'intransigência' de negociadores de Honduras

Equipes de presidente deposto e autoproclamado se reúnem nesta 6ª para debater o fim da crise política

10 de julho de 2009 | 13h26

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, criticou nesta sexta-feira, 10, a "intransigência" das delegações do presidente deposto Manuel Zelaya e do líder autoproclamado Roberto Micheletti reunidas na Costa Rica para debater a crise política em Honduras. Insulza disse ainda que será difícil encontrar um solução para a disputa no país em curto prazo.

 

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As delegações do presidente designado de Honduras, Roberto Micheletti, e do líder deposto, Manuel Zelaya, reúnem-se nesta sexta-feira em San José, Costa Rica, para negociar um fim à crise em Honduras. O chanceler costa-riquenho, Bruno Stagno, disse esperar que sejam estabelecidas pautas para ações futuras e datas para uma reunião eventual entre Micheletti e Zelaya.

 

A OEA adotou a rara medida de suspender Honduras depois que as autoridades interinas do país desafiaram seu ultimato para que reinstaurassem Zelaya no poder. Mas a OEA não conseguiu encontrar uma solução para a crise. Insulza afirmou nesta sexta que primeiramente é preciso um acordo para o restabelecimento constitucional, depois outras questões devem ser discutidas, como uma anistia, um governo de unidade nacional. Segundo o secretário-geral, não existe prazo para o fim das negociações, mas a OEA insiste como condição para readmitir Honduras no grupo o restabelecimento democrático, com a volta de Zelaya.

 

"A verdade é que existe intransigência das duas partes", afirmou Insulza à AFP quando questionado sobre uma solução para a crise. "O problema é que, quando os protagonistas conversam, vão embora e deixam suas equipes de negociadores, estes não são tão negociadores como se espera". "Há uma falta de vontade para discutir essas coisas", acrescentou.

 

Zelaya foi deposto e expulso de Honduras sob a mira de uma arma no último dia 28 de junho. Uma tentativa de retornar ao país no fim de semana passado fracassou depois que as autoridades bloquearam a pista de pouso do aeroporto de Tegucigalpa. A crise política eclodiu depois que Zelaya tentou fazer uma consulta pública para perguntar se os hondurenhos apoiavam suas medidas para mudar a Constituição. A oposição afirma que isso poderia ter posto fim ao atual limite de apenas um mandato por presidente e abrir caminho para uma possível reeleição de Zelaya.

 

A comunidade internacional pressiona Micheletti a devolver o poder a Zelaya, deposto no dia 28. Militares, o Judiciário e o Legislativo de Honduras consideram que o presidente foi destituído legalmente - e não por um golpe -, uma vez que violou a Constituição ao tentar modificá-la para que pudesse ser eleito novamente. Várias alternativas vêm sendo discutidas por analistas. Em uma delas, Zelaya retornaria, mas teria de renunciar a seus planos de alterar a Constituição. Em outra, Micheletti permaneceria no poder, mas o presidente deposto poderia retornar a Honduras anistiado.

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