OEA deixa Honduras certa de que diálogo colocará fim à crise

Delegação de Zelaya, porém, afirma que discussão está em 'ponto morto'; representante de Micheletti discorda

Efe,

08 de outubro de 2009 | 15h18

A missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) manifestou nesta quinta-feira, 8, no final de sua visita a Tegucigalpa, seu convencimento de que o diálogo pode levar à superação da crise política no país, gerada pela deposição do presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, no dia 28 de junho.

 

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"A missão da OEA está convencida de que o diálogo iniciado com participação direta das partes pode levar à superação da crise política enfrentada pelo país", ressalta a organização, em uma declaração em Tegucigalpa, onde a missão se encontra desde a quarta-feira.

 

A OEA, que acompanhou o início do diálogo, "tem a esperança de que os integrantes da mesa assumam plenamente a responsabilidade que foi encomendada e de que seu trabalho permitirá abrir o caminho que poderia levar Honduras à recuperação da ordem democrática", segundo o comunicado.

 

A missão de chanceleres e representantes de países do continente americano, da Espanha e das Nações Unidas, liderada pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, concluiu sua visita com a entrega da declaração, que foi lida pelo ministro das Relações Exteriores da Costa Rica, Bruno Stagno.

 

Victor Meza, ministro de Governo de Zelaya, disse a jornalistas que, "até o momento", estão "satisfeitos com os resultados", porque foi elaborada uma agenda para o diálogo. Meza, integrante da delegação de Zelaya no diálogo, enfatizou que o prazo para se chegar a um acordo dado ao presidente deposto vence no dia 15 de outubro.

 

"Ponto morto"

 

Por sua parte, o coordenador geral da Frente Nacional de Resistência contra o golpe de Estado, Juan Barahona, disse que o diálogo não teve avanços e que "está em ponto morto". Barahona acrescentou que a resistência popular que exige a restituição de Zelaya não cederá nessa exigência, nem na da instalação de uma Assembleia Constituinte, por ser "um direito do povo".

 

O líder popular ressaltou que "o ponto um (da negociação) é a restituição do presidente Zelaya", e que "enquanto não se avança nesse" ponto, não se pode passar "para o dois, o três e os demais". "Temos um prazo até 15 de outubro. Se não houver um acordo, não sabemos o que vai acontecer", disse Barahona, que informou ainda que o diálogo entre as delegações de Zelaya e Micheletti continuará à tarde.

 

Um dos membros da comissão negociadora de Micheletti, Arturo Corrales, afirmou que o diálogo "não está em ponto morto, porque em duas horas já se estabeleceu uma agenda".

 

Poucos minutos depois que a missão da OEA abandonou o hotel onde estava hospedada, cerca de 100 membros da resistência popular chegaram a protestar pela restituição de Zelaya e pela instalação da Assembleia Constituinte.

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