OEA diz que hondurenhos aceitariam 'terceira opção'

Para entidade dos Estados Unidos, diálogo ainda não acabou e deve ser visto apenas como um intervalo

Efe

24 de outubro de 2009 | 02h47

O enviado da Organização dos Estados Americanos (OEA) para o diálogo em Honduras, John Biehl, revelou neste sábado, 24, que segundo pesquisas os hondurenhos apoiariam uma "terceira

opção" na Presidência como "uma das soluções" à crise e afirmou que a suspensão do diálogo deve ser vista como um "intervalo".

 

 

Veja também:

link Michelleti propõe que ele e Zelaya renunciem à presidência

link Novo prazo acaba e Zelaya encerra diálogo em Honduras

especialCronologia do golpe de Estado em Honduras

 

"Nas pesquisas, a maioria do povo hondurenho pensa que essa deve ser uma das soluções", respondeu Biehl perante uma pergunta sobre se considera factível um presidente que não seja Manuel Zelaya nem o governante de facto, Roberto Micheletti.

 

Biehl explicou que essas "pesquisas são sérias e foram realizadas recentemente pela OEA e demonstram um arrasador apoio dos hondurenhos a uma solução negociada" e que querem "afastar-se de toda solução que tenha a ver com a violência".

 

O diplomata se referiu a estas pesquisas, sobre as quais não deu mais detalhes, em entrevista coletiva na conclusão de mais de duas semanas de acompanhamento do diálogo, que começou no último dia 7, entre as comissões de Zelaya e Micheletti na busca de uma solução da crise e que, segundo ele, só está "suspensa".

 

 

John Biehl, da OEA, em uma coletiva de imprensa na sexta-feira, 23, na qual revelou a pesquisa

 

 

O diplomata comentou "esta suspensão do diálogo deve ser tomada como um intervalo" e para os hondurenhos deve servir para "reflexão", insistindo que "não há outro caminho para solução".

 

A delegação de Zelaya deu por fechado o diálogo logo após à meia-noite de quinta para sexta-feira (hora local), um ultimato que havia dado aos representantes de Micheletti para aceitar uma proposta apresentada para que o Parlamento decida sobre sua restituição.

 

A comissão de Micheletti respondeu na sexta dizendo que renuncia se o presidente deposto desiste voltar ao poder para que se instale um Governo de transição.

 

"Esta proposta foi rejeitada mas isto não significa que não se possa voltar a ela", considerou Biehl, que lidera o grupo técnico que acompanhou o diálogo e que amanhã retorna a Washington para "consultas".

Apontou que a OEA não dá por fracassado o processo e que "voltaremos em breve porque temos certeza que os hondurenhos voltarão muito em breve ao diálogo e encontrarão o acordo".

 

O representante da OEA comentou que todas as propostas apresentadas por ambas as partes foram "razoáveis" e que as comissões "foram se aproximando paulatinamente".

 

"Não encontramos razão alguma para que este esforço não continue (...) Temos certeza que os hondurenhos seguirão buscando o ponto que falta para destravar isto e chegar a esse acordo", disse.

Também reiterou que a OEA não enviará observadores às eleições de 29 de novembro "se não há acordo".

Biehl especificou que "qualquer acordo será respeitado pela comunidade internacional e esta é a posição da OEA".

Tudo o que sabemos sobre:
HondurasOEA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.