OEA pede diálogo na Bolívia; alimentos começam a faltar

Organismo sul-americano busca resolução para crise; protestos dificultam abastecimento de cidades

Agências internacionais,

12 de setembro de 2008 | 19h07

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, pediu nesta sexta-feira, 12, respeito às autoridades legítimas da Bolívia e que se estabeleça uma mesa de diálogo no país para resolver a grave crise política. Em comunicado, ele disse que neste momento as prioridades para o país são "primeiro, o fim da violência; segundo, o reconhecimento das autoridades legítimas; e terceiro, a implantação de uma mesa de diálogo onde os problemas pendentes possam ser resolvidos", segundo a agência France Presse.  Insulza destacou que está em contanto permanente com as autoridades bolivianas "para promover a elaboração de uma resolução de consenso do Conselho Permanente da OEA em relação a situação na Bolívia". Em relação às expulsões de embaixadores americanos da Bolívia e Venezuela, o secretário da OEA apontou que "o tema específico das relações diplomáticas bilaterais não é uma questão que diz respeito ao organismo." Veja também:Sobe para 14 o número de mortos em conflitos na BolíviaEvo descarta repressão armada em meio à violência na BolíviaGoverno boliviano propõe diálogo com oposição Missão diplomática brasileira para Bolívia segue indefinidaEntenda os protestos da oposição na BolíviaEnviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia Imagens das manifestações   Enquanto os suprimentos de alimentos básicos e combustível começavam a faltar, moradores do Departamento de Santa Cruz se diziam cansados dos violentos protestos políticos que nesta semana sacudiram a região, considerada um dos bastiões da oposição. "Arroz e batatas estão difíceis de encontrar. Frango e carne estão realmente caros", afirmou a dona de casa America Quiroz, aguardando um mercado abrir as portas. Partidários e opositores do presidente boliviano Evo Morales fizeram barricadas e bloquearam várias ruas e estradas do Departamento, o que levou ao esvaziamento de mercados e deixou postos de gasolina sem combustível. Segundo a rede BBC, 14 já morreram nos protestos na região de Pando, governada pela oposição. Em Santa Cruz, nas longas filas para comprar botijão de gás, consumidores diziam: "Mandam gás para o Brasil e a Argentina e a gente não tem gás em casa." As Forças Armadas ainda não intervieram na crise. Nesta sexta-feira, Evo disse aos jornalistas na região central da Bolívia que ele é o "primeiro a proibir o Exército e a polícia de usarem armas de fogo contra a população". O governo "vai continuar favorável ao diálogo, pela dignidade e unidade do país, apesar das provocações" dos líderes da oposição, declarou o presidente.  Histórico da crise A oposição na Bolívia quer que o presidente Evo Morales volte atrás em sua decisão de cortar os repasses para os departamentos do dinheiro obtido com impostos sobre gás e petróleo. O presidente diz estar usando o dinheiro para custear uma pensão para os idosos do país. Os departamentos argumentam que são responsáveis pela produção da maior parte das commodities que geram o imposto e, por isso, deveriam ser mais beneficiados por eles, para que possam investir na melhoria da condição de vida de suas populações. Os protestos também são contra a nova Constituição, cujo texto foi aprovado no fim do ano passado sem o apoio da oposição. O texto da Carta Magna dá mais poder aos indígenas bolivianos - que representam 60% da população do país, de acordo com o último censo - e confirma a nacionalização dos recursos naturais.  Segundo o analista da BBC James Painter, a Constituição ameaça os negócios e as elites agrárias do departamento de Santa Cruz - onde vive 25% da população boliviana. As propostas para limitar as posses de terra e promover a reforma agrária provocaram fortes reações dos latifundiários locais. Para que entre em vigor, o texto ainda precisa ser aprovado em um referendo, que foi convocado por Evo Morales para dezembro.  

Tudo o que sabemos sobre:
Bolíviacrise na BolíviaOEA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.