OEA pede Venezuela e Colômbia evitem represália comercial

Secretário-geral se oferece para mediar conflito entre Chávez e Uribe após Caracas congelar relações

29 de julho de 2009 | 14h19

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirmou nesta quarta-feira, 29, estar disposto a desempenhar o papel de mediador num novo enfrentamento entre Colômbia e Venezuela. O conflito diplomático foi desatado depois do congelamento das relações decidido pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, em protesto pela sugestão do governo colombiano de que armas encontradas com guerrilheiros eram da Venezuela.

 

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Chávez acusou o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de agir de forma "irresponsável", dizendo que não há evidências de que os lançadores de foguetes suecos que os militares colombianos dizem ter encontrado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) vieram do mesmo lote comprado pela Venezuela. O presidente socialista ameaçou cortar todas as relações diplomáticas e tomar o controle dos negócios de propriedade de colombianos "se houver mais acusações contra a Venezuela".

 

Insulza fez um apelo para que os dois países não adotem represálias comerciais recíprocas. "Espero que os anúncios do presidente Chávez não sejam cumpridos e que, pelo contrário, siga pelo caminho do diálogo direto e da negociação... Nós estamos dispostos, certamente, a exercer nosso bons ofícios de negociadores se nos pedirem". O rompimento preocupa os exportadores colombianos, já afetados pela valorização do peso local. Nos primeiros cinco meses do ano, a Colômbia exportou um total de US$ 2,25 bilhões para a Venezuela.

 

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, deve anunciar ainda na quarta-feira uma resposta à decisão de Chávez. Líderes de esquerda da região andina, entre eles Chávez, afirmam que Uribe ameaça seus vizinhos ao negociar um plano que aumentaria a presença militar dos EUA na Colômbia.

 

As tensões entre a Venezuela e a Colômbia aumentaram após Bogotá anunciar na semana passada que lançadores de foguetes vendidos pela Suécia à Venezuela nos anos 80 foram obtidos pelas Farc. A Suécia confirmou que as armas tinham sido originalmente vendidas à Venezuela. Há tempos funcionários colombianos vêm acusando Caracas de ajudar as Farc - acusação que Chávez nega.

 

O clima entre os dois países já estava tenso por causa da intenção do governo Uribe de autorizar a instalação de pelo menos três bases americanas em território colombiano. Chávez criticou as negociações e chegou a dizer que os EUA estavam preparando uma ofensiva contra a Venezuela que seria lançada a partir da vizinha Colômbia.

 

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