OEA se reúne após Honduras proibir entrada de diplomatas

Governo de facto decreta Estado de sítio em todo país, suspende liberdades individuais e limita imprensa

Efe,

28 de setembro de 2009 | 11h03

  Soldado patrulha as ruas da capital hondurenha após Estado de Sítio  Foto: Wilson Pedrosa/AE

 

TEGUCIGALPA -A Organização dos Estados Americanos convocou nesta segunda-feira, 28, uma reunião urgente do Conselho Extraordinário para discutir a crise em Honduras. No domingo, o governo de facto negou a entrada de uma missão diplomática do órgão no país.

Veja também:

lista Ficha técnica: Honduras, pobre e dependente dos EUA

lista Eleito pela direita, Zelaya fez governo à esquerda

especialCronologia do golpe de Estado em Honduras

especialEntenda a origem da crise política em Honduras

mais imagens Veja galeria de imagens do retorno

video TV Estadão: Jornalistas do 'Estado' discutem impasse

video TV Estadão: Ex-embaixador comenta caso Zelaya

O presidente de facto, Roberto Micheletti, disse que não era o momento oportuno para permitir a entrada dos diplomatas em Honduras.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Inzulza, condenou a atitude de Micheletti. A missão dos diplomatas do órgão era preparar uma visita de diversos chanceleres e do próprio Inzulza ao país para discutir a crise.

"Decisões como esta dificultam seriamente os esforços para promover a tranquilidade social em Honduras e a busca para soluções desta crise", disse o secretário-geral.

Ainda de acordo com Inzulza, a reunião de hoje deve definir futuras ações da OEA no caso. O secretário garantiu que o órgão continua comprometido com uma solução pacífica para a crise.

Estado de sítio

O governo de facto decretou no final da noite de domingo Estado de sítio em todo o país. As liberdades individuais foram suspensas e a imprensa pode ser censurada. Uma rádio oposicionista foi invadida e tirada do ar. Tropas do Exército patrulham vários pontos de Tegucigalpa. O direito de reunião e de habeas-corpus foi suspenso.

Embaixada brasileira

No domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou firmemente o ultimato dado pelo governo de facto de Honduras para que o Brasil defina em dez dias o status do presidente deposto Manuel Zelaya, abrigado há oito dias na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. "O governo brasileiro não acata o ultimato de um golpista, usurpador de poder", disse Lula, irritado, em entrevista na Ilha de Margarita, durante a reunião de cúpula de 65 países da América do Sul e da África.

 

Em um comunicado, a chancelaria do governo de facto afirmou, no sábado, que seriam tomadas "medidas adicionais conforme o direito internacional" se o ultimato não for atendido. Ontem, o chanceler Carlos López explicou, numa entrevista em Tegucigalpa, que, nesse caso, os diplomatas brasileiros serão expulsos do país.

"O prédio que hoje é a embaixada do Brasil passará a ser apenas um escritório", disse López. Ele também anunciou que as embaixadas da Espanha, da Argentina, do México e da Venezuela - que, como o Brasil, retiraram seus embaixadores de Honduras - terão de entregar imediatamente seus emblemas e escudos, o que equivale a uma expulsão. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.