OEA tenta restaurar confiança entre Equador e Colômbia

Quito entrega várias condições a organização, que visita o país, para retomar relações diplomáticas com Bogotá

Efe,

07 de abril de 2008 | 21h47

O governo do Equador entregou nesta segunda-feira, 7, a uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), que visita o país, várias condições para restabelecer as relações diplomáticas com a Colômbia. O anúncio foi feito pelo ministro coordenador de Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea, após a reunião que manteve com os emissários da OEA. A organização tenta em Quito promover medidas para restaurar a confiança e restabelecer as relações diplomáticas entre Equador e Colômbia, rompidas por causa da violação territorial equatoriana por tropas colombianas no dia 1º de março. Veja também:Brasil não define se atuará como mediador na crise da BolíviaOEA não enviará observadores a referendo em distrito boliviano "A OEA expressou a vontade de continuar este processo e o governo equatoriano manifestou seus critérios de condições para o restabelecimento das relações", afirmou Larrea, sem especificar quais são as exigências. O titular de segurança deu dados gerais sobre a posição do Equador e disse que é "de defesa do território nacional", da "dignidade como país, de medidas que basicamente tendam a gerar confiança mútua entre as duas nações." Larrea agradeceu ainda à OEA "por esta ação", que servirá para que "nas próximas semanas" Equador e Colômbia voltem a retomar suas relações diplomáticas. O ministro também não especificou data para o reatamento das relações, pois disse que isso depende do que conseguir a missão, que permanecerá no Equador até a noite de terça-feira, 8, e que depois irá à Colômbia com o mesmo objetivo. O ministro destacou, porém, que a busca de uma solução ao conflito se dá sob "o entendido de que o tema jurídico já foi reconhecido internacionalmente, que houve uma violação dos direitos" de seu país por parte das forças militares da Colômbia. Os delegados da OEA se reuniram a portas fechadas com a ministra das Relações Exteriores equatoriana, María Isabel Salvador, com a intenção de "restabelecer a confiança e o diálogo entre as duas partes", disse aos jornalistas antes do encontro o responsável da missão, o diplomata boliviano Víctor Rico Frontaura. O diplomata afirmou que conversará com ambos os governos e que "serão manipulados todos os textos por canais oficiais", pelo que não fará declarações sobre o tratado. Frontaura explicou que, depois da visita a Quito e a Bogotá, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, será informado,"porque é ele quem está encarregado da missão", após receber esta incumbência dos chanceleres do organismo pan-americano no dia 18 de março. Resoluções Na reunião dos Ministros de Exteriores da OEA foi aprovada uma resolução de "rejeição" à incursão militar da Colômbia em território equatoriano, que teve como objetivo atacar um acampamento das Farc, por considerar que o ato se constituiu numa violação da soberania e integridade territorial do Equador. Na reunião no Palácio de Najas, sede da Chancelaria em Quito, também participaram, além de Larrea e Salvador, os ministros da Defesa, Wellington Sandoval, e de Governo, Fernando Bustamante. A crise diplomática foi originada com uma operação militar realizada por tropas colombianas contra um acampamento da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assentado em território equatoriano. No ataque militar morreram 26 pessoas, entre elas o porta-voz internacional das Farc, Raúl Reyes, quatro estudantes mexicanos, um cidadão equatoriano e um militar colombiano. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, apresentou suas desculpas ao Equador e prometeu que a violação territorial não se repetiria, ao discursar no dia 7 de março na reunião da Cúpula do Grupo do Rio, na República Dominicana, na qual o governante equatoriano, Rafael Correa, aceitou as desculpas e deu por encerrado o assunto. Para restabelecer as relações, entretanto, Quito reivindicou "sinais" de confiança por parte de Bogotá e disse que estes não ocorreram, pois tanto Uribe como seu ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, qualificaram de "legítima" a operação contra as Farc no Equador, apesar da rejeição internacional. Correa acusou a Colômbia de manter uma "ofensiva midiática" contra seu governo, ao tentar implicar membros do Executivo com as Farc. 

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