Olga mata mais de 50 pessoas, dizem dominicanos

Relatório oficial do governo aponta 22 mortos; população afirma que instituições são culpadas pela tragédia

Efe,

14 de dezembro de 2007 | 02h05

Mais de 50 pessoas podem ter morrido por causa das chuvas da tempestade Olga e do transbordamento do rio Yaque do Norte em Santiago, segundo a população da República Dominicana. O relatório oficial do Centro de Operações de Emergência (COE), diz que em todo o país morreram 22 pessoas. O mais caudaloso rio dominicano arrastou tudo o que estava no seu caminho quando recebeu as águas da represa de Tavera, em Santiago. O dique foi aberto, segundo as autoridades, para evitar que ele se rompesse devido às chuvas. Nesta quinta-feira, 13, no setor de Arroyo Fundo, ao sul de Santiago, foram enterrados os corpos de sete pessoas de uma mesma família que se afogaram no rio na madrugada de quarta-feira. "O COE fala de 17 mortos em Santiago. Mas ninguém menciona os seis haitianos e quatro dominicanos que viviam em uma pensão que o rio arrasou", disse Dulce María Gabino, uma das pessoas que perderam a sua casa no bairro Bella Vista. Victoria Helena, Arelis Núñez e José Agustín Acevedo disseram que só em Bella Vista morreram mais de 30 pessoas. "Aqui todos nos conhecemos e há cerca de 20 pessoas que não aparecem porque o rio levou", disse Acevedo. Rafael Borbón, cuja casa foi parcialmente destruída, disse que viu as águas arrastando quatro pessoas. "O COE diz que são 17 mortos, mas esse número passa longe", afirmou. Muitas pessoas ainda buscam seus parentes desaparecidos nas margens do rio Yaque. "Minha mãe dormia comigo quando o rio invadiu a nossa casa. Todos saímos correndo e hoje estamos juntos, mas ela não aparece. Já achamos que está morta, porque se estivesse viva estaria conosco", disse em prantos Sandra Martínez, de 18 anos de idade. Juan Santana contou que na noite de terça-feira saiu do município de Villa Vásquez e foi a Bella Vista para visitar o seu filho Juan Alberto, que não via há seis meses. "Dormíamos, eu, ele, sua mulher e seus dois filhos. De repente ouvimos os gritos das pessoas. Quando despertamos o rio tinha inundado a casa", lembrou. A nora de Santana segurou pelos braços a filha mais nova do casal, de 1 ano e meio. Ele fez o mesmo com outro menino, de 5 anos, e os dois correram. Mas Juan Alberto desapareceu. "Havia muita confusão, cada um corria para um lado. No dia seguinte vimos que Juan Alberto não estava lá. Procuramos, mas parece que ele nos deixou", lamentava Santana. Os parentes das vítimas e os desabrigados insistem que o Instituto Nacional de Recursos Hidráulicos, a Defesa Civil e o COE são responsáveis pela tragédia. "Deveriam ter nos avisado a tempo. Além disso, não houve coordenação", disse Wilkins Cabral.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.