Arquivo/Reuters
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Oliver Stone compara Chávez a Clinton em apresentação de 'Ao Sul da Fronteira'

Segundo diretor, os dois políticos gostam do contato com o povo e se preocupam com ele

Efe,

21 de junho de 2010 | 21h03

NOVA YORK- O cineasta Oliver Stone, que apresenta em Nova York o documentário Ao Sul da Fronteira, disse nesta segunda-feira, 21, que considera o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o ex-presidente americano Bill Clinton parecidos em alguns aspectos.

 

"Chávez é como Bill Clinton. Tem a mesma maneira de se aproximar das pessoas e de se preocupar como elas", comentou Stone em um encontro com a imprensa em Nova York, onde promove o filme junto ao roteirista Tariq Ali. O documentário estreia nos cinemas dos Estados Unidos na sexta-feira.

 

A comparação, segundo o diretor, é válida por tanto Chávez como Clinton gostarem "do contato com o povo" e não evitarem as oportunidades de deixar claro que se sentem à vontade entre seus compatriotas.

 

Stone, que centra o documentário na figura do líder venezuelano e nas opiniões que desperta entre líderes políticos de outros países, assegurou também que é "ridículo" que Chávez seja chamado de ditador. Para ele, insinuações do tipo são "um insulto ao povo venezuelano".

 

"Eu gosto de Chávez. O que ele fez de mal? Está ajudando a maioria da população de seu país a sair da pobreza. O que acontece é que diz tudo o que pensa. Não tem filtros e, além do mais, aparece demais na televisão. Mas ama seu povo", defendeu o diretor, que garantiu que "Chávez jamais descumpriu a lei".

 

Ao Sul da Fronteira, que já percorreu vários festivais e foi internacionalmente apresentado em setembro, faz um retrato político e humano muito favorável a Chávez.

 

Nos 78 minutos de filme, Stone, que hoje recordou em mais de uma ocasião que Chávez foi eleito "nas urnas uma outra vez", inclui depoimentos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales (Bolívia), Cristina Kirchner (Argentina), Equador (Rafael Correa), Paraguai (Fernando Lugo) e Raúl Castro (Cuba) sobre a situação da América do Sul.

 

Segundo o cineasta, todos os governantes transmitiram a mensagem de que "gostam de Chávez e de que estão todos de acordo de que a situação (vivda pela América do Sul) é extraordinária".

 

"A situação que o continente vive é única. Estão todos unidos. Nunca houve um momento assim, no qual só há dois tipos de mal na região: Alan García no Peru e Álvaro Uribe, e agora Juan Manuel Santos na Colômbia", disse Stone, que criticou os "esforços desestabilizadores" dos Estados Unidos.

 

Em sua opinião, o giro pela região realizado pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton - no qual a funcionária visitou o Equador, Peru e Colômbia - tinha como propósito "causar dano e desuni-los". Por isso, a secretária seria "uma pessoa adequada" para assistir ao documentário, assim como o presidente Barack Obama.

 

"Obama poderia aprender muito da América do Sul. Ali os recursos naturais pertencem ao povo e não a grandes corporações que os levam para fora do país", disse Stone, que garantiu que o filme quer contestar a "má impressão" que Chávez tem nos Estados Unidos e na Europa, e dar assim um pouco de equilíbrio à imagem do presidente venezuelano.

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