Onda de frio deixa pelo menos 50 mortos na América do Sul

Baixas temperaturas e neve prejudicam atividades aéreas, zonas de cultivo e produção pecuária

Associated Press

20 de julho de 2010 | 15h16

Homem se aquece nas ruas de Buenos Aires, Argentina.

 

BUENOS AIRES - Pelo menos 50 pessoas morreram nos últimos dias em diferentes países da América do Sul devido à onda de frio polar que atinge o continente e tem prejudicado os setores agrícola e pecuário e causado fenômenos meteorológicos incomuns em algumas regiões.

 

Na Argentina, pelo menos 14 pessoas morreram desde a semana passada por causas diretas ou indiretas às baixas temperaturas que são registradas em boa parte do país. A Polícia informou nesta terça sobre a morte de um homem e uma mulher na cidade costeira de Mar del Plata.

 

Outra dezena de pessoas, várias delas sem-teto, morreram nos últimos dias por causa do frio. Temperaturas de até -14ºC foram registradas no sul e no centro do país, enquanto no norte os índices variaram entre 0ºC e -3ºC.

 

O intenso frio começou a dar tréguas na segunda, mas serviços das companhias aéreas ainda não esta normalizado em Buenos Aires, já que muitas cidades para onde os voos vão estão com a infraestrutura afetada pela neve.

 

No Paraguai, onde se espera mais frio, oito pessoas morreram por hipotermia. Um nona pessoa morreu intoxicada com monóxido de carbono, já que queimava carvão vegetal para se aquecer. Além disso, 600 cabeças de gado morreram nas fazendas do norte, segundo as autoridades do país.

 

No Chile, durante o início da onda de frio, há duas semanas, duas pessoas morreram - uma por hipotermia e outra incendiou a casa ao tentar acender a lareira. O frio intenso causou situações inéditas, como uma tromba d'água no povoado de Tirúa e uma tempestade em Calama, cidade do deserto chileno, onde as temperaturas chegaram a -8ºC.

 

As nevascas isolaram algumas cidades e causaram cortes de energia em alguns locais da província de Ausén. Em Santiago, o estádio Victor Jara serviu de abrigo para centenas de pessoas sem-teto. Plantações foram perdidas e estima-se que 100 mil cabeças de gado estão ameaçadas.

 

Na Bolívia, onde não foram fornecidos dados oficiais, há entre 18 e 21 mortos. Na segunda-feira foi registrada uma nevasca na região do Chaco, ao sudeste de La Paz, uma zona tradicionalmente quente. No mesmo dia, a cidade de Tarija amanheceu sob neve e com temperaturas de até -9ºC.

 

Pescadores da província amazônica de Beni se queixaram da morte de peixes de água doce. Antes do temporal, várias regiões do país haviam se lamentado da seca e agora sofrem com os efeitos do frio intenso sobre as plantações.

 

Segundo o Ministério de Hidrocarbonetos, a demanda de gás alcançou o nível máximo da produção com 42 milhões de metros cúbicos por dia. A Bolívia destina a maior parte de sua produção para o mercado local, para o Brasil e para a Argentina, que elevaram seus pedidos devido ao frio.

 

No Uruguai, morreram duas pessoas na semana passada por hipotermia. As temperaturas chegaram a até -5ºC durante a última semana.

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