ONG adverte que Chávez 'silenciará' a Globovisión ao controlar canal

Segundo presidente, governo terá controle de 48,5% das ações da emissora

Efe,

20 de julho de 2010 | 20h12

MIAMI- Uma organização de direitos humanos dos Estados Unidos advertiu nesta terça-feira, 20, que o presidente venezuelano Hugo Chávez "silenciará" o canal privado Globovisión e "atentará" contra a liberdade de expressão de seu país ao controlar quase a metade das ações da emissora.

 

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A Venezuela Awareness Foundation (VAF), com sede en Miami, disse que a ação "orquestrada" pelo governo venezuelano tem como objetivo "controlar e silenciar o único canal de televisão de linha independente" do país sul-americano.

 

"Isso ratifica que a Venezuela usa o poder Judiciário e as leis para dar um manto de legalidade a ações que atentam contra a Constituição e os tratados internacionais", denunciou o grupo em um comunicado.

 

"Repudiamos a ação do presidente Chávez de consumar a hegemonia comunicacional ao tomar o controle do canal Globovisión, que tem sido a única janela com que os venezuelanos contam para estar informados de forma imparcial", disse Patricia Andrade, presidente da VAF.

 

Patricia afirmou que não se pode falar de democracia quando um dos princípios desse sistema político, a liberdade de expressão, está se "extinguindo" na Venezuela para que haja "uma só voz, a da revolução liderada pelo presidente Chávez, que sempre atacou ferozmente os meios independentes".

 

Chávez disse hoje que controlará 48,5% das ações do canal de televisão crítico ao seu governo porque um de seus acionistas, o banqueiro Nelson Mezerhane, está foragido da Justiça e outro, Luis Teófilo Núñez, morreu.

 

Segundo o presidente, após a intervenção das empresas do Grupo Federal, de propriedade de Mezerhane, seu governo tem agora 28,5% das ações da Globovisión mais 20% dos títulos de Teófilo.

 

Assim, com quase a maioria das ações, o governo, de acordo com Chávez, teria direito a nomear um diretor.

 

Logo após o anúncio de Chávez, a Globovisón divulgou um comunicado em seu site, no qual desmente as afirmações de Chávez, ao divulgar que seus acionistas são três pessoas jurídicas, uma das quais é o Sindicato Ávila, representado por Nelson Mezerhane. Contestando o presidente, a emissora afirma que ele possui apenas 20% das ações.

 

O texto também declara que os acionistas não têm direito de designar membros da Junta Diretiva, já que são escolhidos pela Assembleia Nacional de Acionistas.

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