ONG adverte sobre tensão diante de eleições em Honduras

Para Anistia Internacional, existem rumores sobre ameaças tanto para ir quanto para não ir votar

Efe

28 Novembro 2009 | 08h58

A ONG Anistia Internacional (AI) advertiu neste sábado, 28, que Honduras se encontra em uma situação de "tensão" e "incerteza" perante o pleito do próximo domingo e denunciou que as autoridades armazenaram milhares de granadas de gás lacrimogêneo.

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Javier Zuñiga, chefe de uma missão da ONG que chegou esta semana a Tegucigalpa, indicou a Efe que puderam constatar a existência "de um perceptível medo perante o que possa acontecer no domingo" à população.

O ativista indicou que o organismo tem informação de que o governo de Roberto Micheletti adquiriu recentemente "10 mil granadas de gás lacrimogêneo e 5 mil projéteis para as mesmas".

Zuñiga indicou que, além disso, foram informados da recente aquisição de um tanque de água pressurizada e assinalou que a organização teme que todo este material possa ser utilizado nos próximos dias. Ele  lembrou que há poucos meses o uso de gás lacrimogêneo provocou a morte de uma pessoa, que sofria de asma, em Tegucigalpa.

"Não sabemos o que vai acontecer, de fato ninguém sabe que pode acontecer antes, no dia e depois das eleições", disse o chefe da missão, que estará até o próximo dia 4 em Tegucigalpa realizando um  "inventário dos afetados pelo golpe" e recopilando informação sobre as eleições.

Disse que existe um grande número de rumores sobre supostas ameaças tanto para ir quanto para não ir votar, que o temor a que se produzam incidentes e outros elementos que "podem fazer mudar totalmente o sentido da abstenção".

Além disso, advertiu de uma "repressão de baixa intensidade" com a fustigação a membros do movimento de resistência ao golpe de Estado e inclusive a existência de uma carta de uma autoridade militar na qual pede a um prefeito que facilite uma lista de nomes e telefones de seguidores do deposto presidente, Manuel Zelaya.

Evitou pronunciar-se sobre as eleições do domingo, amplamente rechaçadas pela comunidade internacional, mas censurou a forma como o Tribunal Supremo Eleitoral hondurenho pretende empregar políticos e empresários convidados como observadores, perante a ausência dos analistas dos organismos internacionais.

"O trabalho dos observadores é muito técnico, muito qualificado e com um grande desdobramento de meios, o que querem fazer aqui não tem nada a ver com isso", disse.

Zuñiga indicou que até o momento tiveram informação que desde o golpe de Estado, em 28 de junho, morreram entre 20 e 30 pessoas, mas não têm o número de feridos e de detidos por delitos de consciência, porque as autoridades golpistas não têm um registro desses casos.

O que temos são dados de organismos de direitos humanos, o governo não tem números, o que implica que não tem vontade política para ser transparente com o que está sucedendo", disse.

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