ONU acusa opositores bolivianos de massacre de camponeses

Órgão para direitos humanos apresenta relatório sobre incidentes em Pando, que mataram 11 em setembro

Efe,

25 de março de 2009 | 21h33

Um relatório das Nações Unidas apresentado nesta quarta-feira, 25, aponta os opositores autonomistas que controlavam o governo de Pando como responsáveis pelo "massacre de camponeses" ocorrido neste departamento boliviano em setembro do ano passado. O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Bolívia, o canadense Denis Racicot, apresentou em La Paz seu relatório sobre os incidentes violentos de setembro do ano passado em Pando, onde, segundo o documento, 11 morreram.

 

"O massacre de camponeses é uma grave violação aos direitos humanos que teria sido cometida por pessoal do Governo de Pando, funcionários do serviço rodoviário, membros do Comitê Cívico de Pando e outros partidários", disse Racicot.

 

Neste relatório, as Nações Unidas oferecem as conclusões de sua investigação sobre a violência entre os simpatizantes do governo do presidente Evo Morales e os do então governador de Pando, Leopoldo Fernández, que levaram o Executivo a declarar estado de sítio na região.

 

Segundo Racicot, "houve um ataque frontal com uso de armas letais de forma indiscriminada e unilateral, e os camponeses não tiveram outra opção do que se salvar como pudessem". Uma das principais conclusões do relatório das Nações Unidas é que aconteceu um "massacre" em Pando, termo que se aplica em fatos violentos quando há mais de três mortos, disse Racicot.

 

Outro dado é que morreram 11 pessoas - dois opositores afins à Prefeitura e nove camponeses - no massacre, número com o qual, segundo Racicot, a Procuradoria boliviana está trabalhando.

 

A ministra da Justiça boliviana, Celima Torrico, reconheceu o trabalho da ONU neste relatório, que considerou como uma "contribuição importante" para esclarecer o ocorrido em Pando. Já o vice-ministro de Coordenação com os Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, destacou que o relatório contribui para evitar a impunidade no país.

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