ONU lamenta má distribuição de alimentos no Haiti

Segundo órgão, dificuldades logísticas continuam; entidade haitiana alertou para insegurança alimentar no país

Efe,

29 de janeiro de 2010 | 22h14

Haitiana vende carne de porco cheia de varejeiras no mercado conhecido como  "A Cozinha do Inferno", em Cité Soleil. Foto: Sergio Dutti/AE

 

PORTO PRÍNCIPE - As Nações Unidas lamentaram nesta sexta-feira, 29, que perdurem as dificuldades logísticas na distribuição da ajuda aos 2 milhões de desabrigados pelo terremoto no Haiti.

 

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O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, afirmou que conseguiram grandes avanços nas operações humanitárias no país caribenho, mas ainda são insuficientes.

 

"Temos um longo trecho para percorrer antes de nos darmos por satisfeitos", disse Holmes em entrevista coletiva. O diplomata britânico afirmou que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) "trabalha dia e noite" para acelerar a distribuição de comida.

 

Por meio desta agência da ONU, 600 mil pessoas receberam alimentos e 16 milhões receberam porções, mas ainda existem problemas na atenção a 2 milhões de atingidos.

 

O responsável humanitário da ONU assinalou que a ausência de infraestrutura adequada, os danos sofridos nas estradas do país, além da necessidade de assegurar uma distribuição equitativa e proporcionar segurança aos comboios, limitam as atuações humanitárias.

 

Holmes reiterou a crescente preocupação do organismo com os riscos dos menores que perderam os pais no terremoto, diante do temor de tráfico de crianças e adoções ilegais.

 

O Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) advertiu hoje sobre os perigos ambientais associados às consequências do terremoto que assolou a capital haitiana.

 

Um deles são os resíduos de materiais médicos empilhados em hospitais e centros de tratamento sem que exista um sistema ou equipamento especial para eliminá-los.

 

A agência ambiental indicou que colabora com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e com o governo haitiano para criar um espaço apropriado para depositar os resíduos.

 

A Onu elevou para 84 o número dos integrantes de sua missão no Haiti (Minustah) que perderam a vida no terremoto, e reduziu para 15 os que ainda permanecem desaparecidos.

 

Segurança alimentar

 

A Coordenação Nacional da Segurança Alimentar (CNSA) do Haiti fez um alerta nesta sexta sobre as consequências negativas do terremoto do dia 12 de janeiro na segurança alimentar do país a curto, médio e longo prazo.

 

Segundo a entidade, o tremor teve "impacto sobre os mercados, as infraestruturas, os deslocamentos da população, os preços e vários outros fatores".

 

A CNSA destacou que "a segurança alimentar das famílias de Porto Príncipe é principalmente afetada a curto prazo pela perda de renda, depois da queda da oportunidade de empregos." Antes do terremoto, a taxa de desemprego no Haiti já ultrapassava os 60%, segundo dados oficiais.

 

A organização também estimou que "o desaparecimento ou invalidez dos que fornecem recursos às famílias afetará as fontes de renda". O terremoto do dia 12 deixou mais de 170 mil mortos e 200 mil feridos, dos quais dois mil foram submetidos a amputações.

 

A CNSA declarou que grande parte dos mercados da capital haitiana estão abastecidos e funcionam normalmente, mas os preços de vários produtos aumentaram, tanto os cultivados no Haiti como os importados. Como exemplo, o organismo citou o quilo de arroz, que passou de US$0,50 a US$ 0,60 depois do terremoto.

 

A entidade disse que a tendência nos próximos meses é a manutenção ou diminuição dos preços se a ajuda alimentar for bem distribuída.

 

O organismo estimou que no resto do país "a segurança alimentar será afetada por deslocamentos massivos das populações às zonas rurais e urbanas e no exterior de Porto Príncipe". Segundo os últimos dados do governo, 500.000 pessoas deixaram a capital com destino a outras regiões, em particular ao departamento (estado) de Artibonite (norte), que recebeu 160.000 pessoas.

 

República Dominicana

 

Nesta sexta, milhares de haitianos cruzaram a fronteira para a República Dominicana para comprar alimentos, remédios e outros artigos escassos no Haiti após o terremoto.

 

Os haitianos foram vigiados por soldados da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) e do dominicano Corpo Especializado de Segurança Fronteiriça Terrestre (Cesfront).

 

Os visitantes, muitos deles com carretas, entraram na província de Dajabón, no noroeste da República Dominicana, pela nova ponte construída com fundos da União Europeia sobre o rio Masacre, que separa os dois países pela zona norte.

 

Organizações haitianas e dominicanas tinham ameaçado protestar hoje para pedir a entrada de haitianos pela nova passagem viária devido aos grandes congestionamentos registrados na velha ponte e na área de alfândega da cidade de Ouanaminthe (Haiti).

 

As autoridades das duas nações se opõem à abertura da ponte sem antes ser inaugurada, mas instituições haitianas e dominicanas ameaçaram hoje retirar os alambrados que impedem o trânsito de pessoas e veículos.

 

O chefe do Cesfront, general Francisco Gil Ramírez, ordenou a partir de hoje a passagem pela nova ponte aos haitianos que se dirigem a província de Dajabón em estradas para transportar produtos e outras mercadorias.

 

O general declarou que continua válida a disposição oficial dominicana que autoriza a circulação de veículos da Cruz Vermelha e da Defesa Civil que entrarem em território dominicano com feridos do terremoto, mas mediante revistas dos mesmos.

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