ONU muda missão no Haiti e renova mandato por um ano

Texto pede atuação contra tráfico de drogas e empenho militar para segurança marítima e na fronteira

Tahiane Stochero, do estadao.com.br,

15 de outubro de 2007 | 22h16

O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu nesta segunda-feira, por unanimidade, estender por um ano o mandato da Missão para Estabilização do Haiti (Minustah). A missão de paz, comandada pelo Brasil, está no país caribenho desde 2004, quando uma onda de violência depôs o então presidente Jean Bertrand Aristide.Veja também:* Brasil aceita proposta da ONU para manter liderança no Haiti Íntegra da renovação do mandato da missão  Acompanhe uma patrulha na região mais violenta do Haiti O texto da nova resolução altera o enfoque da missão, pedindo maior empenho das outras agências da ONU na estabilização e "encorajando" atuação dos capacetes-azuis contra o tráfico de drogas e a  segurança marítima e dos 2.600 quilômetros de fronteira que o país tem com a República Dominicana. Até então, devido à violência na capital, Porto Príncipe, as tropas das Nações Unidas não eram responsáveis por patrulhas marítimas e na fronteira, que de agora em diante recebem atenção especial. O Haiti não tem Exército e a responsabilidade pela segurança na fronteira cabe atualmente à República Dominicana. O tráfico de drogas também é um recente fator de desestabilização. Como 80% da população vive com menos de US$ 2 por dia, o país mais pobre das Américas não tem mercado consumidor, servindo apenas como rota para o comércio nos Estados Unidos e América Central. Contudo, ultimamente, centenas de quilos de drogas foram apreendidos em povoados no interior do país. Na renovação do mandato, a ONU "expressa sua gratidão" aos militares pelas ações em Cité Soleil que, de dezembro a abril deste ano, pacificaram o até então reduto do crime no Haiti. O texto faz ainda remissão aos feridos e mortos nos combates, realizados sob comando do Brasil. Contudo, a ONU admite que a segurança ainda é "frágil" e pede que as "tropas, apoiando a Polícia Nacional Haitiana (PNH), continuem agindo para solidificar a segurança". Neste contexto, o mandato aumenta em 300 policiais o atual contingente, que passa a ser de 2,091 homens. O objetivo é o fortalecimento PNH, que possuí um histórico de corrupção e ineficiência, possuindo pouca credibilidade junto à população. A ONU pede maior ênfase das tropas e da UNPOL (polícia das Nações Unidas) para o treinamento da PNH, solicitando empenho dos colaboradores internacionais para reequipar a polícia, para que os militares possam, aos poucos, transferir suas responsabilidades para a PNH. O texto faz ainda referências a acontecimentos da semana passada, como as chuvas que provocaram a morte de 47 pessoas e deixaram milhares de desabrigados em Gonaives, no norte , e em Cabaret, um vilarejo nas montanhas 30 km ao norte da capital do Haiti, pedindo empenho das agências internacionais e ONGs para "o auxílio afetados por desastres ambientais". Outro ponto levantado é a busca pela solidificação de órgãos públicos e instituições, como o sistema prisional, o Conselho Eleitoral e os poderes Legislativo e o Judiciário. Há cinco dias, o governo adiou as eleições para o Senado devido à suspeita de corrupção, pois autoridades teriam se apropriado de recursos públicos destinados para a regulamentação do caótico sistema eleitoral . A ONU quer que o "governo tenha capacidade de atuar em todos os seus níveis e que todas suas instituições sejam sustentáveis", e pede "esforços de todas as autoridades haitianas contra o crime, em todas as suas formas". Mesmo com o novo mandato, como o estado.com.br informou com exclusividade em 24 de setembro, o atual comandante das tropas internacionais no Haiti, o general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, ficará no cargo mais um ano, até janeiro de 2009. O principal motivo do general brasileiro permanecer no cargo é a iniciativa frente à violência no Haiti. De janeiro a abril, 11 operações militares lideradas pelo Brasil prenderam mais de 400 pessoas, expulsaram os principais líderes de gangues e pacificaram Cité Soleil, reduto histórico do crime no Haiti. A comunidade internacional vinha pressionando o Brasil para uma ação mais forte do ponto de vista militar desde maio de 2006, após as eleições presidenciais, quando uma nova onda de violência e seqüestros irrompeu no país mais pobre das Américas.Com o novo mandato da ONU, o Brasil podem mudar seu local de atuação. Hoje na "pacificada" capital, as tropas brasileiras podem passar a patrulhar a fronteira haitiana, ou serem transferidos para Martisan, região onde o crime ainda tem relativo poder de atuação.

Tudo o que sabemos sobre:
haitiminustahbrasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.