ONU teme por ordem pública por falta de alimentos no Haiti

Distribuição de suprimentos entre as vítimas do terremoto enfrenta problemas, segundo subsecretário

Efe,

15 de janeiro de 2010 | 19h17

A ONU está tentando agilizar a distribuição da ajuda que chega ao Haiti, ante o temor de que os três dias sem água e alimentos levem as vítimas do terremoto a causar desordem e violência, disseram nesta sexta-feira, 15, funcionários da entidade.

 

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As fontes asseguraram que estão conscientes de que as dificuldades para fazer os carregamentos de ajuda que se acumulam no aeroporto chegarem às vítimas podem conduzir a uma piora da já tensa situação que vive o país. Grande parte dos três milhões de pessoas que vivem em Porto Príncipe e das áreas próximas carecem de alimentos, água, abrigo e assistência médica desde que o terremoto de magnitude 7 atingiu o país, na terça-feira.

 

"A distribuição é um problema, e é uma gota no oceano. Sabemos e compartilhamos da impaciência, mas há limitações no que diz respeito à distribuição pela falta de caminhões, combustível e bloqueio das estradas", disse o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes.

 

O diplomata britânico ressaltou que os funcionários da ONU no país estão conscientes da frustração dos sobreviventes da catástrofe, que dormem nas ruas de Porto Príncipe. Holmes disse também que os destacamentos das missões de paz da ONU no país (Minustah) já retiraram ao menos 9 mil cadáveres das ruas. As autoridades haitianas, porém, confirmaram que 40 mil corpos foram enterrados.

 

O subsecretário disse que, até o momento, não houve registros de incidentes graves de ordem pública, ao mesmo tempo em que desmentiu informações sobre saques nos galpões do Programa Mundial de Alimentos (PMA). "Não houve saques. É uma informação incorreta, estão intactos. O que há são dificuldades para acessá-los devido às dúvidas quanto à instabilidade", disse Holmes.

 

Até o momento, a ONU recebeu alimentos para cerca de apenas 8 mil pessoas, mas a agência espera receber suprimentos para 1 milhão nos próximos 15 dias.

 

iante do aumento da tensão em Porto Príncipe, os responsáveis da Minustah reforçaram as patrulhas militares e policiais que garantem a segurança na capital haitiana, disse o porta-voz da ONU, Martin Nesirky. Ao mesmo tempo, assinalou que a Polícia Nacional Haitiana tenta se reorganizar, depois que o tremor desarticulou totalmente a sua presença nas ruas.

 

Nesirky também comentou que continuam os esforços para encontrar sobreviventes entre os escombros da sede de Minustah, que sucumbiu por causa do terremoto, e na qual podem estar mais de cem de empregados do organismo. "Obviamente, as perspectivas não são muito boas", admitiu o porta-voz, reconhecendo que a probabilidade de encontrar pessoas com vida se reduz drasticamente passadas 72 horas.

 

Até o momento, a organização multilateral confirmou a morte de 36 integrantes da Minustah, entre policiais, militares e civis, além de um empregado do PMA.

 

Nas próximas horas, a ONU apresentará aos países doadores uma solicitação de ajuda urgente de US$ 560 milhões, US$ 10 milhões a mais do que inicialmente havia previsto o organismo. O pedido inclui recursos para a distribuição de água, alimentos, barracas de acampamento, serviços sanitários e atendimento médico durante seis meses, assim como para necessidades de médio prazo, como a reconstrução de infraestruturas, explicou Holmes.

 

 

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