ONU visita prisões cubanas pela primeira vez

Relator especial para o direito à Alimentação verificou o acesso dos presos à comida

Efe,

07 de novembro de 2007 | 01h57

O relator especial da ONU para o direito à Alimentação, Jean Ziegler, visitou prisões cubanas para verificar o acesso dos presos à comida, na primeira viagem a Cuba de um funcionário da sua categoria. Ziegler, que finalizou nesta terça-feira uma visita iniciada dia 28 de outubro, evitou comentar as suas impressões da viagem. Ele argumentou que o seu trabalho em Cuba deverá constar de um relatório a ser elaborado na próxima semana e enviado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. "Estivemos em duas prisões, e pudemos conversar com presos para saber como é a alimentação que eles recebem", disse Ziegler em entrevista coletiva. Ele explicou que a sua missão não tinha competência para analisar outras questões relacionadas aos direitos humanos. As entrevistas com os reclusos se limitaram a "verificar como o direito à alimentação é respeitado em Cuba nesta situação muito especial", disse. A visita de Ziegler é a primeira de um relator da ONU após a "descontinuação" da missão da relatora especial para Cuba da extinta Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, Christine Chanet. O governo cubano nunca autorizou a sua entrada no país, por considerar a relatoria especial um "mecanismo discriminatório, seletivo, imposto pela força". Mesmo insistindo que não podia falar de "conclusões nem recomendações de um relatório que não existe", o relator destacou que sua visita é "um sinal evidente das novas relações" entre o governo cubano e o Conselho de Direitos Humanos. Ele destacou a intenção do chanceler Felipe Pérez Roque de receber outros dos 26 relatores para que conheçam a realidade da ilha em suas áreas. Além disso, destacou, "o chanceler cubano diz publicamente" que Havana examina a possibilidade de assinar os dois tratados de direitos humanos (dos seis existentes) que ainda não assinou. Um deles se refere aos direitos sociais, econômicos e culturais, e o outro aos direitos civis e políticos. Ziegler lembrou que é preciso finalizar a elaboração do relatório. "Mas não vimos nem uma pessoa subnutrida", adiantou. Ele teve oportunidade de se reunir com uma grande quantidade de gente em diferentes modalidades de produção e visitou pontos de distribuição de alimentos, conversando com responsáveis e usuários. Foi "uma investigação totalmente livre", afirmou.

Tudo o que sabemos sobre:
CubaONU

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.