Operação de resgate de reféns das Farc entra em novo dia

As Farc prometeram libertar as colombianas Consuelo González e Clara Rojas, e o filho de Rojas, Emmanuel

Mariana Della Barba, de O Estado de S. Paulo, com Reuters,

29 de dezembro de 2007 | 17h38

A operação para a libertação de três reféns em mãos da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi adiada para domingo, disseram fontes do governo venezuelano e da Cruz Vermelha Internacional. Os dois helicópteros enviados à Colômbia pela Venezuela para recolher os reféns permaneciam em terra neste sábado. Uma fonte do Comitê Internacional da Cruz Vermelha explicou à Reuters que a operação não seria possível porque ainda levará tempo para a chegada dos observadores internacionais à Colômbia, vindos de Caracas, como também pelas condições de visibilidade na região. "Hoje não poderia realizar-se mais. São normas da organização", disse à Reuters na Venezuela uma fonte da Cruz Vermelha. As Farc prometeram libertar as políticas colombianas Consuelo González e Clara Rojas, e o pequeno filho de Rojas, Emmanuel. A guerrilha disse que se tratava de um gesto de desagravo ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, depois que o governo colombiano suspendeu seus esforços de mediação para uma troca humanitária de reféns por rebeldes presos. Fontes do governo venezuelano, que está organizando a operação, reiteraram que a entrega dos reféns não será neste sábado e somente os observadores internacionais viajarão para a região, para estarem à disposição no momento do resgate. Observadores Jornalistas e observadores internacionais haviam recebido neste sábado, em Caracas, o tão aguardado telefonema do governo venezuelano para que embarcassem para o sul da Venezuela, a fim de acompanhar a prometida libertação. O destino ainda era mantido em sigilo.   Poderia ser tanto a cidade de Santo Domingo, no Estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia, ou para a base de Villavicencio, no interior da selva colombiana, onde dois helicópteros da Cruz Vermelha estavam prontos para decolar em busca dos reféns.      A expectativa de todos era a de que os guerrilheiros, escondidos em algum ponto da selva colombiana, revelassem ao governo venezuelano a localização dos reféns. No entanto, antes de embarcar, a chancelaria venezuelana fez uma recomendação: que todos os observadores e jornalistas levassem uma muda de roupa, o que poderia ser um sinal de que a libertação se arrastaria por mais um dia.   De qualquer maneira, o roteiro oficial foi montado para que os helicópteros, antes de partir para o resgate, esperassem a chegada dessa "caravana humanitária".     Como os militares venezuelanos acreditam que os guerrilheiros estejam em algum lugar na selva, distante da base de Villavicencio, os helicópteros resgatariam os seqüestrados e retornariam à base para reabastecer. Não se sabe ao certo para onde iriam depois, mas a aposta principal era que se dirigissem para Santo Domingo, na fronteira com a Venezuela.      Operação de guerra     "Se houver algum problema para localizar as coordenadas por razões militares ou atmosféricas, já que é uma patrulha se movendo na selva, na montanha ou na savana, estaria disposto a realizar operações terrestres de busca", afirmou o líder venezuelano.   "Claro que seria necessária a permissão do presidente (colombiano Álvaro) Uribe."     Além dos delegados da Cruz Vermelha, participam da caravana representantes de outros oito países (Venezuela, Colômbia, Brasil, França, Argentina, Bolívia, Equador e Suíça), todos convidados por Chávez para avalizar e dar respaldo internacional à operação de resgate dos reféns.      Autorização     O representante brasileiro que participará da operação é o assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. Na noite de sexta-feira, ele confirmou ao Estado que o início da operação seria até o meio-dia de hoje (14h30 de Brasília) e afirmou que o Brasil só aceitou participar depois do aval de Bogotá. "Não viríamos se não houvesse autorização do Uribe", disse Garcia.     "O governo brasileiro não é menos ingênuo ou mais tolerante que os governos da França, de Cuba ou da Colômbia", afirmou Garcia, ressaltando o caráter humanitário da missão, já que Chávez vem sendo criticado por negociar e até favorecer as Farc, considerada uma organização terrorista pelos EUA e pela União Européia.

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