'Operação de resgate foi antecipada', diz ministro colombiano

Juan Manuel Santos diz que libertação dos reféns foi acelerada por medo de vazamento de informações

Efe,

05 de julho de 2008 | 10h42

O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, disse neste sábado, 5, que a operação Xeque, que permitiu a libertação de Ingrid Betancourt e de mais 14 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), foi acelerada por medo de que houvesse vazamento de informações.  Veja também:Ingrid chega a hospital militar de Paris para exames médicosIngrid Betancourt é recebida por Nicolas Sarkozy na França'Fiquei acorrentada 24 horas por dia durante 3 anos' O drama de IngridPor dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região   Cronologia do seqüestro de Ingrid BetancourtLeia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid BetancourtO seqüestro de Ingrid Betancourt  O ministro disse que, a princípio, estava previsto que a operação ocorresse em um prazo de dez dias, mas foi antecipada. "Aceleramos ao máximo, porque o risco do vazamento de qualquer coisa era muito grande", disse, ressaltando que "o risco para os seqüestrados era mínimo". O ministro colombiano fez estas afirmações durante um discurso neste sábado no campus de verão da fundação Faes, dirigida pelo ex-presidente do governo espanhol José María Aznar, na localidade espanhola de Navacerrada. Santos disse que, na realidade, não foi uma operação militar, mas de inteligência, e deu como exemplo que, caso fossem detectados antes de chegar à zona, o mais provável era que a guerrilha escapasse com os seqüestrados. Se fossem descobertos ao chegar, os que corriam então mais risco era a tripulação do helicóptero e os agentes infiltrados. Todos eles foram advertidos do risco e nenhum mostrou "hesitação", acrescentou o ministro, que insistiu em que "nunca houve risco alto para os seqüestrados". O ministro colombiano reiterou que a operação Xeque foi "100% colombiana" e que "é um golpe que acho que as Farc ainda não conseguiram assimilar". A ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, de 46 anos, e mais 14 pessoas foram libertadas na quarta-feira passada na operação realizada pelo Exército colombiano. Farc e ETA Em seu discurso, ao ser perguntado sobre a possível vinculação entre o grupo basco ETA e as Farc, Santos disse não saber "que tipo de relações poderiam ter", mas afirmou que "existe uma espécie de cumplicidade, disso não há mais dúvidas, devido aos programas e evidências que encontramos". O ministro se referia à informação confiscada nos computadores pertencentes ao "número dois" das Farc, "Raúl Reyes", que morreu no ataque das Forças Aéreas colombianas contra um acampamento daguerrilha em território do Equador em 1º de março. "Aparecem tentativas de fazer algum tipo de atentados aqui em Madri", disse Santos, sem entrar em detalhes sobre este ponto. Também falou da recente divulgação de um vídeo no qual membros das Farc enviam uma saudação à ETA que, segundo o ministro, pode ter sido filmado quando algum jornalista espanhol esteve com a guerrilhacolombiana. "Estes grupos se retroalimentam", acrescentou Santos, que citou também o Exército Republicano Irlandês (IRA), que no passado enviou especialistas em explosivos às Farc. Santos se reunirá neste sábado com a ministra da Defesa espanhola, Carme Chacón.

Tudo o que sabemos sobre:
FarcIngrid Betancourt

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.