Oposição a Chávez mostra força em manifestação anti-reformas

Milhares de opositores foram às ruas na quinta-feira para pedir votos pelo 'Não' no referendo de domingo

REUTERS

30 de novembro de 2007 | 07h46

Mais de 100 mil venezuelanos realizaram uma manifestação na quinta-feira, na maior demonstração de força da oposição antes da votação de um referendo sobre uma reforma constitucional, que pode dar ao presidente Hugo Chávez o direito de disputar a reeleição sem limites.   Veja também: Especial: Tensão na América do Sul  Conheça pontos centrais da reforma Um mar de simpatizantes do "não" surgiu por toda capital Caracas em direção à praça central da cidade, prometendo impedir Chávez de conquistar mais poderes no referendo de domingo. Um movimento estudantil, que surgiu em maio depois de Chávez decidir não renovar a concessão de uma emissora de TV oposicionista, promoveu a manifestação contrária às reformas, consideradas autoritárias por partidos da oposição, por grupos de defesa dos direitos humanos e pela Igreja Católica. A multidão balançava bandeiras venezuelanas e gritava "não, não, não" às reformas constitucionais. "Estamos conquistando a democracia de volta", gritou o líder estudantil Freddy Guevara, enquanto usava uma camisa vermelha com a inscrição "Não", em um palanque na manifestação. "Não há dúvidas de que todos votarão, iremos vencer." Chávez já conquistou vitórias eleitorais fáceis contra a dividida oposição do país, mas, desta vez, pesquisas mostram que o presidente venezuelano enfrentará a disputa mais acirrada de sua carreira. A maioria dos levantamentos mostra um empate técnico entre o "sim" e o "não". Segundo a BBC, repetindo a tendência das eleições anteriores, a oposição diz que não confia nos resultados que serão divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). "Vamos respeitar os resultados, mas só se o CNE for transparente. Nós sabemos que somos maioria e, se tentarem nos enganar, levaremos o povo às ruas", discursou o prefeito opositor do município de Baruta, Henrique Capriles Radonski.   Em 2004, quando Chávez foi submetido a um referendo revogatório do mandato e saiu vitorioso, a oposição se negou a reconhecer os resultados eleitorais alegando fraude. Na ocasião, observadores internacionais da Organização de Estados Americanos e do Centro Carter legitimaram os resultados.   A reforma de 69 dos 350 artigos da Constituição venezuelana abre caminho para a criação de um sistema econômico socialista, traz novas modalidades de propriedade (entre elas a coletiva) e permite que o presidente concorra a reeleições indefinidas.

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