Oposição a Evo Morales pede 'não' à Constituição por autonomia

Presidente boliviano ameaça aplicar Constituição por decreto se Congresso bloqueá-la após referendo

Efe,

13 de janeiro de 2009 | 09h42

Os quatro governadores regionais de oposição na Bolívia se reuniram na segunda-feira, 13, em Tarija, no sul do país, onde pediram o voto pelo "não" ao projeto de Constituição que passará por referendo no próximo dia 25 de janeiro, para, segundo eles, garantir as autonomias departamentais (estaduais). O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que aplicará por decreto uma nova Constituição se for aprovada na consulta e o Congresso se negar a votar as leis necessárias para implementá-la. Veja também: Conheça as mudanças no novo projeto constitucional da Bolívia O governador de Tarija, Mario Cossío, disse em discurso que, caso se aprove o projeto constitucional, "nunca haverá autonomia". "Para que haja autonomia verdadeira é imprescindível que as regiões autonomistas votem no 'não'", ressaltou Cossío. "Não será este governo que decidirá se teremos autonomia ou não. A autonomia foi conquistada por nossos povos de maneira democrática", comentou Cossío em referência ao referendo de 2006, no qual essa opção venceu em Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando. Ao ato de campanha a favor da rejeição da Carta, em Tarija, também foram os governadores de Santa Cruz, Rubén Costas, de Beni, Ernesto Suárez, e de Chuquisaca, Savina Cuellar. Em outros atos eleitorais, os governadores opositores também pediram o voto no "não", por não estarem de acordo com o fato de o projeto constitucional não contemple a religião católica como oficial. O texto que será submetido a referendo dentro de duas semanas foi elaborado no Congresso entre o partido do presidente Evo Morales e uma parte da oposição, que introduziu mais de 100 modificações ao projeto apresentado inicialmente pela Assembleia Constituinte, de maioria governista.  Constituição por decreto Evo advertiu aos parlamentares durante o encerramento do 7º Congresso ordinário de seu partido, Movimento ao Socialismo (MAS), que se não aprovarem as normas para aplicar a Constituição, ele o fará "por decreto supremo". "Se não aprovarem normas no Congresso Nacional, baseado no voto do povo boliviano, implementarei mediante decreto supremo a nova Constituição", disse. O líder insistiu em dar "quase por aprovada a nova Constituição". Segundo ele, "a tarefa" de seu governo agora será aprovar a nova Carta Magna, para o que será necessário "todo um processo" que requer "minimamente 100 leis". "Quero pedir aos parlamentares de todos os partidos (que) se quiserem passar à história acompanhem esta transformação profunda", apelou.

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