Oposição ataca Uribe e atrasa nova votação de 3° mandato

Debate começou na terça-feira e não saiu do impasse depois de mais de oito horas de sessão

AE-AP,

26 de agosto de 2009 | 19h34

A Câmara dos Representantes da Colômbia passou parte da noite desta quarta-feira, 26, reunida em sessão permanente para votar a convocatória de um referendo que permitiria ao presidente Álvaro Uribe reeleger-se pela segunda vez em 2010.

 

O debate - que teve início na terça-feira e não saiu do impasse depois de mais de oito horas de sessão - persistia nesta quarta-feira em meio a diversas acusações de compra de votos.

 

O congressista Jorge Enrique Rozo, um dissidente da coalizão governista, denunciou ao plenário da Câmara que, há duas semanas, uma funcionária do governo lhe perguntou o que ele gostaria de receber do governo em troca do seu apoio ao projeto.

 

À acusação de Enrique Rozo soma-se a uma série de denúncias apresentadas pelo Partido Liberal (PL), de centro, e o Polo Democrático, de esquerda, que dizem que Uribe tenta comprar o apoio dos parlamentares com propinas e liberação de recursos para emendas parlamentares.

 

Na sessão de terça-feira, governistas calculavam ter pelo menos 85 votos favoráveis, mas o cenário ficou incerto depois que 92 dos 165 deputados declararam-se impedidos de votar.

 

O grupo alega "conflito de interesses" por participar de uma disputa sobre a legalidade do projeto num processo que ainda está sendo analisado pela Corte Suprema de Justiça.

 

Uribe, de 57 anos, é um advogado de direita que venceu as eleições presidenciais colombianas em 2002. Depois de chegar ao poder, ele mudou a Constituição em 2006 para conseguir o direito a uma primeira reeleição.

 

Atualmente, sua aprovação é de 68% e analistas dizem que o êxito relativo de seu plano de "segurança cidadã" tornaria Uribe um candidato quase imbatível nas próximas eleições, marcadas para maio de 2010.

 

O presidente colombiano está há sete anos no poder. Se o direito a uma segunda reeleição for aprovado e ele vencer a votação, poderá ficar na presidência por 12 anos. O único presidente latino-americano com mais de dez anos no poder é o venezuelano Hugo Chávez. Mas, na Venezuela, o direito à reeleição é ilimitado.

 

O projeto foi aprovado no Senado colombiano na semana passada. Se passar na votação da Câmara, seguirá para análise da Corte Constitucional - algo que pode demorar três meses.

 

Embora nunca tenha dito textualmente que pretende candidatar-se uma terceira vez em 2010, o presidente colombiano nunca desencorajou seus aliados de propor o projeto.

 

Em diversas ocasiões, o presidente colombiano expressou o desejo de que suas políticas tivessem continuidade, mas sempre evitou falar diretamente sobre sua própria reeleição. Caso Uribe não participe das próximas eleições, o candidato governista deve ser o ex-ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, considerado um dos responsáveis pelo êxito relativo que a Colômbia alcançou no combate às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

 

Hoje, 12 indígenas - entre eles cinco crianças - foram mortos por um grupo de homens fardados em Tumaco, Departamento (Estado) de Nariño, de acordo com ONGs locais. O governo investiga o massacre.

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