Oposição boliviana lidera paralisação contra Morales

Seis dos nove departamentosda Bolívia pararam nesta quarta-feira contra a novaConstituição defendida pelo presidente Evo Morales pararefundar o país mais pobre da América do Sul. O protesto, marcado pela tranquilidade, o bloqueio deavenidas e o fechamento quase total do comércio, tenta impedirque o governo avance com uma Carta Magna que já foi aprovada nofim de semana passado. A polêmica luz verde dada pela Assembléia Constituinte, quese reuniu em um centro militar na cidade de Sucre, a cerca de700 quilômetros ao sul de La Paz, se deu em meio a protestosviolentos que deixaram mortos e feridos. Além disso, a liga de províncias opositoras controladaspela direita pretende trazer à discussão pública as ambições deautonomía em relação ao poder central, cuja sede, La Paz, estálocalizada na empobrecida região ocidental do país. "A paralisação é contra a Renda Dignidade, contra esseprocesso de mudança, o novo modelo econômico, contra anacionalização dos recursos naturais; a paralisação no fundo épara defender esse modelo neoliberal que fez tanto dano aonosso país", disse Morales diante de centenas de simpatizantesna região do palácio presidencial em La Paz. O mandatário quer ver a nova Constituição sancionada, nomais tardar, em 14 de dezembro. Na noite de quarta-feira, os governistas se anteciparam àparalisação regional e aproveitaram a ausência de legisladoresopositores no Congresso, cercado por grupos de apoio a Morales,para aprovar duas leis polêmicas, o que pareceu um desafioaberto aos que discordavam delas. Em uma, o Congresso aprovou uma pensão universal paraidosos, à qual se contrapõem as regiões opositoras, porque elasserão pagas em parte com um corte de receita vinda de umimposto sobre hidrocarbonetos. A outra lei autoriza que a Assembléia Constituinte se reúnaem qualquer lugar do país, e não apenas em Sucre, a capitallegal da Bolívia, onde as deliberações pararam por mais de trêsmeses devido a protestos locais. "Dois terços da Bolívia estão mostrando a este governo, aopaís, ao mundo, ... que estamos contra isso que aprovaram àscostas do povo", disse Alberto Melgar, presidente do ComitêCívico do Departamento de Beni, um dos líderes do movimentoopositor, em referência à Constituição e às leis da madrugadade quarta-feira.

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