Oposição boliviana paralisa regiões em protesto anti-Morales

Paralisação de cerca de dois terços do país contra nova Constituição é marcada por tranqüilidade

Reuters e Efe

29 de novembro de 2007 | 08h04

A tensão entre o governo e a oposição na Bolívia cresceu na quarta-feira, 28, com a greve em seis das nove regiões do país e a convocação de uma greve de fome a partir de segunda-feira em protesto contra a nova Constituição defendida pelo presidente Evo Morales.   Veja também: Especial: Tensão na América do Sul       Os líderes da rica região de Santa Cruz chamaram todos os governadores, dirigentes cívicos e a membros da Assembléia Constituinte a iniciar na segunda-feira uma greve de fome "nacional e por tempo indefinido", além de pregar a "resistência civil" e denúncias em fóruns internacionais sobre a situação da Bolívia.   O protesto foi marcado por tranquilidade, bloqueio de avenidas e o fechamento quase total do comércio. A manifestação pretende impedir que o governo avance com uma Carta que já foi aprovada preliminarmente no fim de semana passado. O polêmico aval ao texto outorgado pela Assembléia Constituinte, que se reuniu na cidade colonial de Sucre, ocorreu em meio a violentos protestos que deixaram mortos e feridos. "Aqui não houve violência, porque não queremos dar motivos ao governo para que nos acuse de violência", disse Marcos, que estava com dois filhos pequenos na praça central de Santa Cruz.   O incidente mais violento aconteceu na cidade de Cobija, em Pando. A casa do senador suplente Abraham Cuéllar, acusado por opositores de "se vender" ao governo, foi queimada. Também houve bloqueios de estradas em Santa Cruz e choques entre os governistas e opositores em Cochabamba. Além de condenar o texto, a rica liga de províncias opositoras controlada pela direita pretende recolocar na discussão pública suas ambições de autonomia do governo central, cuja sede, em La Paz, fica na empobrecida região ocidental do país. Os líderes da mobilização, reunidos em Santa Cruz, qualificaram o protesto com um sucesso, já que puderam impedir a atividade quase total dos departamentos de Santa Cruz, Beni, Chuquisaca, Tarija e Pando e, em menor escala, em Cochabamba. Estes departamentos concentram mais da metade da população e grande parte da economia boliviana.   Os embaixadores dos países da União Européia (UE) se reunirão nesta quinta-feira com Morales, para pedir que ele respeite a legalidade e os princípios democráticos e lamentar os "trágicos eventos" de Sucre, segundo fontes diplomáticas.

Tudo o que sabemos sobre:
BolíviaConstituiçãoEvo Morales

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.