Oposição boliviana pede revisão de censo antes de referendo

Levantamento é 'sujo e precisa ser limpo', diz vice-presidente da Corte Eleitoral; Evo tenta aprovar nova Carta

Efe,

07 de outubro de 2008 | 15h15

A oposição ao governo da Bolívia e várias cortes eleitorais departamentais (estaduais) do país pediram a revisão do censo eleitoral antes da realização do referendo constitucional boliviano, anunciou nesta terça-feira, 7, a imprensa local. Em declarações ao telejornal Notivisión, o vice-presidente da Corte Nacional Eleitoral (CNE), Jerónimo Pinheiro, pediu "uma reestruturação do censo", já que, segundo sua opinião, o atual é "sujo e deve ser limpo."   Veja também: Para oposição, Evo Morales está 'desesperado' por reeleição Governo Evo pode mudar Constituição antes do referendo Evo diz que pode adiantar eleições gerais na Bolívia Opositores recusam nova oferta de Evo para acordo na Bolívia   O presidente boliviano Evo Morales luta para manter a autoridade em meio a uma disputa com governadores rebeldes no leste do país, que buscam mais autonomia. Os dois lados discutem um projeto de uma nova Constituição, apoiado pelo presidente e seus partidários, e as propostas de mais autonomia desejadas pela situação.   "É preciso fazer este trabalho, que não demora dois ou três dias, mas quatro ou cinco meses, pois deve ser bem detalhado", declarou Pinheiro. O líder da CNE reconheceu que é a "a única pessoa que pediu" esta auditoria do censo e também admitiu que não sabe se a Sala Plena do organismo eleitoral "tem a intenção de fazer este trabalho."   O partido opositor, o conservador Poder Democrático e Social (Podemos) e os governadores autonomistas contrários ao governo Evo também exigiram que o registro de eleitores seja divulgado.   Diante do encerramento sem acordos do diálogo entre o Executivo e os governadores da oposição, o governista Movimento ao Socialismo (MAS, partido de Morales) pretende que o Congresso Nacional aprove nos próximos dias a lei que convoca o referendo sobre a nova Constituição.   A Rádio Pan-americana informou nesta terça que as cortes departamentais de Santa Cruz, Beni, Pando, Oruro e Chuquisaca concordaram em reivindicar uma revisão do censo eleitoral porque está "muito poluído". Apesar de a Corte Nacional Eleitoral não ter se pronunciado recentemente sobre o caso, seu presidente, José Luis Exeni, anunciou em setembro uma auditoria do censo eleitoral com a participação de organismos e analistas internacionais.   Com esta decisão, ele respondia às recomendações sobre o censo feitas pelos observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) que participaram do referendo sobre mandatos realizado em 10 de agosto.   O jornal La Prensa de La Paz publica nesta terça que a CNE já iniciou uma auditoria na base de dados, desenvolvida com o apoio da OEA, da União Européia (UE) e a Cooperação do Canadá, e visa uma repadronização total, que será concluída em dezembro do próximo ano.

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