Oposição boliviana prepara declaração de autonomia regional

O governo esquerdista da Bolívia ameaçouna quarta-feira usar a força caso quatro Departamentos(Estados) oposicionistas levem adiante seu plano de declararautonomia no fim de semana. Enquanto o presidente Evo Morales prepara uma grande festapopular em La Paz para celebrar a nova Constituição, no sábado,os governadores de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando nomearamassembléias que no mesmo dia votarão uma declaração derompimento de relações com o governo central. "Nossa primeira opção é o diálogo, mas se isso falhar, aforça da lei vai agir", disse o ministro de Governo, AlfredoRada, a jornalistas em frente ao palácio presidencial em LaPaz. O vice-ministro Rubén Gamarra disse em entrevista coletivapela TV que "é dever de todos os bolivianos combater tais atosde sedição e separatismo". "Não permitiremos que nenhumDepartamento, município ou líder cívico ataque a unidade danossa pátria, isso está claro." O governo enviou reforços policiais ao Departamento deSanta Cruz, o mais rico do país e principal reduto da oposição,no leste. O porta-voz Alex Contreras disse que o objetivo daforça é proteger instituições públicas --algumas das quaisinvadidas por manifestantes. O governador de Beni (norte), Ernesto Suárez, disse a umarádio local que assembléias vão se reunir no sábado nas quatroregiões rebeldes para aprovar os estatutos de autonomia. Aimprensa local disse que os governadores assumirão o controlesobre temas como arrecadação fiscal e distribuição fundiária. A Constituição recém-aprovada dá mais autonomia aosDepartamentos e aos indígenas bolivianos, mas os quatroDepartamentos, todos governados pela oposição, querem criarmecanismos próprios que levem à sua autonomia. O governo de Morales, primeiro presidente indígena daBolívia, é marcado por relações tensas com a elite do país.Alguns líderes cívicos de Santa Cruz estão em greve de fome hámais de uma semana, exigindo maior autonomia. No Departamento de Santa Cruz, que ocupa um terço doterritório boliviano, ficam quase todas as terras improdutivase supostamente ilegais que Morales espera usar numa reformaagrária. A nova Constituição só entrará em vigor depois de umreferendo nacional sobre um artigo pendente, de uma votaçãofinal na Constituinte e de um novo referendo sobre o textointegral. REUTERS ES

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