Oposição boliviana quer Brasil como mediador de negociação

Governador oposicionista de Santa Cruz disse que o Brasil é 'uma garantia de que isso pode ter uma solução'

REUTERS

14 de setembro de 2008 | 17h06

A oposição boliviana quer a participação do Brasil nas negociações com o governo do presidente Evo Morales para acabar com dias de enfrentamentos violentos que já custaram a vida de quase 30 pessoas. O governador oposicionista do departamento de Santa Cruz, Ruben Acosta, disse neste domingo que o "Brasil é uma garantia de que isso pode ter uma solução". Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio vai a Santiago participar de uma reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasur), convocada pela presidente chilena, Michelle Bachelet, para tratar da situação na Bolívia.     Veja também: Lula confirma presença em reunião da Unasul  Entenda os protestos da oposição na Bolívia Filas se formam em frente às distribuidoras de gás   Imagens das manifestações   Chávez aproveita deterioração diplomática dos EUA Evo se reúne com opositores na Bolívia; mortos sobem para 28 "Esperamos do Brasil e do presidente Lula de que o país irmão --e vamos exigir hoje que o Brasil esteja presente no diálogo --ante qualquer possibilidade que possa haver de negociação ou uma facilitação", afirmou Costa, referindo-se ao encontro de domingo à noite entre Morales e a oposição. Santa Cruz é um dos quatro departamentos que lideram a resistência ao plano de Morales de implantar uma Constituição de caráter socialista, que consolidará a nacionalização da economia e dará mais poder aos indígenas. Há três semanas, a Bolívia é sacudida por violentos enfrentamentos entre seguidores de Morales e opositores. Em meio à onda de violência, os departamentos de oposição aceitaram abrir um canal de diálogo com o governo para chegar a um acordo de reconciliação nacional. Uma reunião foi marcada para este domingo, quando funcionários do governo se reunirão com o governador do departamento de Tarija, Mario Cossio, que representará a oposição. Em Santa Cruz, a mediação brasileira é vista como fundamental para um acordo. "Esperamos que o presidente Lula possa mediar. Houve contatos iniciais com o Brasil e esperamos que o Brasil, com a liderança que tem na região, possa ser aquele que leve à pacificação da Bolívia", declarou Branko Marinkovic Jovicevic, presidente do movimento para a autonomia de Santa Cruz. No departamento de Pando, os conflitos entre opositores e apoiadores do governo deixaram quase 30 mortos, e na sexta-feira o presidente Morales decretou estado de sítio na região. (Reportagem de Raymond Colitt)

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