Oposição boliviana rejeita diálogo com Morales

Os quatro governadores oposicionistas da Bolívia rejeitaram na quinta-feira o convite do presidente esquerdista Evo Morales para um diálogo a respeito do exercício das autonomias regionais sob a recém-promulgada Constituição "plurinacional" e socialista do país. A imprensa local disse que o governador direitista do rico Departamento de Santa Cruz (leste), Rubén Costa, e seus aliados de Tarija, Chuquisaca e Beni citaram diversas razões para se negar a um encontro com Morales, pela segunda vez em um ano. Morales disse na quarta-feira que convidara os quatro governadores a uma reunião na sexta-feira em La Paz, para iniciar um processo destinado a compatibilizar os estatutos de autonomia regionais desses quatro Departamentos, aprovados no ano passado, com a nova Constituição. O diálogo abarcará também o programa eleitoral dos próximos 14 meses, quando Morales terá direito a disputar a reeleição. A rádio Erbol informou, citando um porta-voz do governo regional, que Costas alegou ter uma agenda muito atribulada, embora anteriormente tenha declarado que não visitaria Morales porque não acredita na palavra do presidente. O prefeito do Departamento de Tarija, Mario Cossío, disse em carta a Morales que preferia completar um diálogo dentro da sua região, na primeira semana de março, antes de participar de um diálogo nacional. Semelhante argumento expôs o governador do amazônico Departamento de Beni, Ernesto Suárez, enquanto assessores da governadora indígena de Chuquisaca, Savina Cuéllar, alegaram que ela não iria ao encontro por estar em viagem por seu Departamento. "Não comparecer ao diálogo é o pior sinal que os governadores poderiam dar às suas regiões e aos seus eleitores", disse o porta-voz de Morales, Iván Canelas. "Negar-se ao diálogo seria negar que temos já uma nova Constituição aprovada e vigente, na qual estão reconhecidas as autonomias", acrescentou. Os governadores oposicionistas lideraram no ano passado uma onda de protestos contra Morales e pelas autonomias, que em vários casos terminaram em violência. Morales afinal aceitou incluir o tema das autonomias regionais na nova Constituição, que entrou em vigor no último fim de semana, após ser aprovada em referendo nacional. (Por Carlos Alberto Quiroga)

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