Oposição boliviana suspende diálogo com Evo Morales

Governadores acusam presidente de não cumprir bases de negociação e realizar 'caçada' contra cidadãos

Agências internacionais,

01 de outubro de 2008 | 15h29

Quatro governadores da oposição na Bolívia suspenderam "temporariamente" nesta quarta-feira, 1, o diálogo com o presidente Evo Morales, acusando-o de não cumprir as bases do processo de negociações e realizar uma "caçada" contra cidadãos e líderes de sua região. Em nome de seus colegas opositores, o governador de Tarija, Mario Cossío, anunciou a medida e exigiu a intervenção direta de Evo para salvar o diálogo que tenta encerrar a crise política do país.    Veja também: Empresários bolivianos farão campanha contra nova Constituição Unasul chega à Bolívia para investigar mortes em Pando   "Tomamos a decisão de suspender temporariamente nossa participação nas mesas de trabalho, até que o governo nacional reconduza sua atuação neste caso", afirmou Cossío, que esclareceu que o diálogo "não foi rompido", segundo a agência France Presse. "Está nas mãos do presidente continuarmos ou não", continuou o governador na cidade de Cochabamba, no centro do país, que foi palco das conversas que começaram em 18 de setembro.   O estopim da decisão dos governadores de Santa Cruz, Beni, Chuquisaca e Tarija foi a prisão do dirigente civil do Chaco boliviano, José Vaca, acusado de promover há três semanas a explosão de um duto de um gasoduto que exporta gás para o Brasil, durante os protestos contra Evo. Eles consideram "inadmissível" que o Ministério de Governo (Interior) tenha ordenado, na última terça-feira, a detenção de "um cidadão comum" por ter participado de protestos.   Este fato "constitui uma violação dos direitos e garantias constitucionais, altera as regras da democracia e do Estado de Direito e é uma ação governamental de aberta violação ao acordo inicial, que abriu caminho ao processo de diálogo", destacou o governador regional.   Por sua vez, o ministro de Governo, Alfredo Rada, defendeu em entrevista coletiva em La Paz a detenção de José Vaca em "uma operação policial em cumprimento de uma ordem fiscal", na qual os agentes agiram "com todo o respaldo legal que corresponde". Ele assegurou que não foi um "seqüestro."   Segundo o ministro, a investigação do promotor indica que o homem seria um dos responsáveis nos atos de "terrorismo" com os quais a oposição autonomista tentou um "golpe cívico-prefeitoral" contra o governo de Evo Morales.    'Provocação'   Cossío denunciou as "reiteradas provocações" por parte do governo. "Cumprimos nossa parte, mas não o governo nacional, que intensificou bloqueios, cercou Santa Cruz e não deteve a campanha midiática a favor da nova Constituição", afirmou.   Segundo o líder opositor, ao redor de Evo "existem setores que estão querendo que o diálogo nacional fracasse, que desejam substituir as mesas de trabalho pela violência e que buscam evitar uma saída pacífica à crise nacional".    Por isso, pediu a "palavra oficial" do presidente para que garanta o cumprimento do acordo inicial que abriu caminho ao diálogo e à restituição das garantias constitucionais dos cidadãos.   Cossío pediu ainda aos observadores internacionais da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Organização dos Estados Americanos (OEA), ONU e União Européia (UE), que acompanham o processo, uma reunião para "expressar nossa preocupação e ajudarem a salvar o diálogo nacional."   Evo e os quatro governadores começaram a negociação há três semanas para chegar a um acordo para resolver o impasse da aprovação de uma nova Constituição, que incluiu a autonomia dos Departamentos e a redistribuição de recursos públicos que estão sendo usados para o pagamento de uma bonificação a idosos. 

Tudo o que sabemos sobre:
Bolíviacrise na Bolívia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.