Oposição boliviana tenta cortar gás para o Brasil

Manifestantes ocuparam na quarta-feirainstalações de um gasoduto no sudeste da Bolívia, mas semconseguir cortar a exportação de gás natural para o Brasil, emum endurecimento dos protestos da oposição regional contra ogoverno esquerdista do presidente Evo Morales. A tentativa de sabotagem ao fornecimento de gás para o paíscoincidiu com uma onda de invasões de prédios públicos nosquatro distritos dominados pela oposição no leste da Bolívia.Os quatro departamentos iniciaram processos de autonomia, emmeio a uma tentativa de reforma constitucional socialistaincentivada por Morales. A Superintendência de Hidrocarbonetos informou que a tomadada estação intermediária de um gasoduto operado por umconsórcio de companhias estrangeiras ocorreu perto da cidade deVillamontes, a 900 quilômetros ao sudeste de La Paz, na regiãodo Chaco, região de procedência de todo o gás boliviano para aexportação. "Os manifestantes não conseguiram fechar as válvulas poisacredito que se deram conta de que isso poderia ser um riscopara suas próprias vidas", disse a jornalistas LeonardoChiquié, diretor-jurídico da superintendência. Chiquié acrescentou que uma informação preliminar dosoperadores do gasoduto, que conecta os campos do Chaco com osgasodutos internacionais, indicou que as exportações paraArgentina e Brasil "não sofreram alteração". O Ministério de Minas e Energia do Brasil informou que estámonitorando a crise boliviana, mas que até o momento ofornecimento de gás da Bolívia está normal. O relato da Superintendência de Hidrocarbonetos surgiucinco horas depois de dirigentes cívicos do Chaco anunciarem arádios locais que haviam cortado o envio de gás ao Brasil. Hámais de duas semanas eles bloqueiam estradas exigindo umimposto sobre o gás e petróleo, para financiar as autonomiasregionais. Diante desse anúncio, o novo ministro de Hidrocarbonetos,Saúl Avalos, advertiu energicamente que o governo utilizará aforça, se necessário for, para garantir o abastecimento deBrasil e Argentina com gás obtido em campos operados pelasempresas Petrobras, Repsol-YPF, Total e British Gas. "Nada nem ninguém vai impedir que exportemos gás paraBrasil e Argentina [...]. Como governo garantimos essasexportações por todos os meios", disse Avalos em seu primeirodia como titular da pasta mais importante para a economiaboliviana. Atualmente, a Bolívia exporta quase 32 milhões de metroscúbicos diários de gás para os seus vizinhos. REPARTIÇÕES OCUPADOS Em Santa Cruz, capital do distrito homônimo e reduto daoposição de direita, grupos de manifestantes que gritavam"autonomia agora" ocuparam violentamente as sedes regionais dosdepartamentos de Receita Federal, reforma agrária e rodovias,além da recém-nacionalizada empresa de telefonia Entel. Emissoras privadas mostraram ao vivo o saque da repartiçãofiscal e os rostos ensangüentados de policiais e militares queforam expulsos desse local. Houve ações semelhantes em Tarija, Beni e Pando, os outrostrês departamentos mobilizados pela devolução de parte de umimposto sobre o gás e petróleo que Morales destinou aopagamento de uma renda universal para idosos. O dirigente empresarial Mauricio Roca disse que osescritórios ocupados na terça-feira pela União Juvenil de SantaCruz serão entregues ao governador local, Rubén Costas, paraque organize um governo autônomo, segundo a rádio Erbol. O porta-voz governamental Iván Canelas disse que, "apesarda violência desnecessária e das reiteradas negativas dosgovernadores", Morales "reitera seu apelo ao um diálogo francosobre a nova Constituição e as autonomias". "Essa é a vontade do povo", disse Canelas, aludindo aorecente referendo em que mais de dois terços dos eleitores semanifestaram pela permanência de Morales no cargo. Quatro dosseis governadores oposicionistas também foram confirmados emseus mandatos.

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