Oposição boliviana vai à OEA criticar Evo Morales

Governadores se reúnem com representantes da ONU na quarta; greve de fome amplia ofensiva

Efe,

04 de dezembro de 2007 | 11h52

Um grupo de governadores bolivianos de oposição está nesta terça-feira, 4, em Miami para apresentar queixa à ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA), acusando o presidente Evo Morales de querer acabar com a democracia do país com a proposta de Constituição apresentada pelo governo. A ofensiva da oposição se estende ainda a uma greve de fome iniciada por mais de 50 pessoas em três regiões oposicionistas.   Veja também: Tensão na América do Sul    Segundo líderes do movimento, a idéia é que a greve vá se massificando" em todos os departamentos nos próximos dias. O presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branco Marinkovic, disse que o protesto foi convocado "em defesa da democracia" e contra as "ilegalidades" cometidas pelo governo. Por enquanto, nem Marinkovic nem o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas (que está nos EUA), jejuarão, apesar de serem duas figuras muito destacadas na oposição regional.   "Estamos preocupados com a ânsia por instalar em nosso país um regime totalitário, que tenta ignorar as minorias e ferir de morte a democracia", declarou em entrevista coletiva Mario Cossio, governador de Tarija. Ele é um dos quatro governadores bolivianos que fizeram escala em Miami durante a sua viagem a Washington. Eles se reunirão nesta terça-feira com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.   Os outros são Manfred Reyes Villa, governador de Cochabamba, Ernesto Suárez, governador de Beni, e Rubén Costas, governador de Santa Cruz. Eles devem viajar na quarta-feira a Nova York, para protestar na ONU contra as "irregularidades" na Assembléia Constituinte.   O governo boliviano lamentou que a oposição prefira "denunciar e desacreditar" as atuações de Morales em organizações internacionais, em vez de ir à reunião convocada para solucionar o conflito através do diálogo na quarta-feira. O vice-ministro de Coordenação Governamental da Bolívia, Héctor Arce, também vai a Washington com uma delegação do governo boliviano, para se reunir com Insulza na quarta-feira.   Em Miami, os governadores lembraram que as votações que aprovaram em primeira instância a reforma da Constituição aconteceram em um quartel militar da cidade de Sucre, sem a presença da oposição e após graves distúrbios que deixaram três mortos e 300 feridos. Cossio denunciou ainda que os constituintes governistas não respeitaram as regras básicas da Assembléia, que estabeleceu que as reformas constitucionais seriam aprovadas com maioria de dois terços, e não por maioria simples.   Costas denunciou "chantagens" e "ameaças" aos opositores, de forma direta ou com a colaboração de grupos indígenas. "Já não vivemos numa democracia e existe o perigo de uma guerra civil, porque o governo está incitando a violência", acrescentou Reyes Villa.   As manifestações também têm como objetivo repudiar um corte no repasse, para os governos regionais, de impostos sobre os hidrocarbonetos. Evo quer usar esses recursos para pagar uma bolsa-auxílio de US$ 300 anuais para idosos, mas as elites políticas e econômicas dos departamentos alegam que o corte prejudicará obras e serviços regionais.   As regiões de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando têm uma demanda antiga por maior autonomia. A Assembléia Autonômica de Santa Cruz pretende apresentar no dia 15, após a aprovação da nova Carta, um estatuto próprio - espécie de Constituição local - que declarará unilateralmente a autonomia em relação a La Paz.   (com Ruth Costas, de O Estado de S. Paulo)

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