Oposição chama Uribe de 'ditador' por pedir repetição de pleito

Acusado de compra de votos, presidente colombiano sugeriu um referendo para realização de uma nova eleição

Reuters e Efe

27 de junho de 2008 | 14h12

As principais forças de oposição da Colômbia acusaram nesta sexta-feira, 27, o presidente Álvaro Uribe de ser um "ditador populista" por sua decisão de convocar um referendo para repetir a eleição presidencial de 2006, o que desatou uma crise política e acentuou a queda do peso. A oposição também acusou o presidente de querer perpetuar-se no poder, violando a Constituição vigente. A polêmica teve início após a Suprema Corte de Justiça ter questionado a legitimidade da reforma constitucional que permitiu a reeleição de Uribe em 2006.       Veja também: Uribe pede referendo sobre repetição de eleições de 2006Uma ex-legisladora foi condenada a quase 4 anos de prisão domiciliar depois de ter confessado que aprovou o projeto após ter recebido oferta de suborno do governo. "O presidente está por cima dos outros poderes na Colômbia, e por isso não estamos em uma democracia constitucional, e sim em uma ditadura populista", disse o presidente do partido de esquerda Polo Democrático, Carlos Gaviria. "O presidente pensa que pode convocar o povo quando quiser e para o que quiser", afirmou o político, candidato derrotado por Uribe na eleição presidencial de 2006. Gaviria, especialista em direito constitucional, advertiu que na Colômbia não está sendo respeitado o direito de revisão para os veredictos da Corte Constitucional, que aprovou a reforma que abriu caminho para a reeleição de Uribe. O senador Héctor Elí Rojas, porta-voz do opositor Partido Liberal, disse que o problema não foi a eleição presidencial de 2006, mas sim a reforma da Constituição no Congresso, que, segundo a Suprema Corte, foi marcada por irregularidades. "As democracias modernas se sustentam fundamentalmente no respeito à Constituição e à lei, e esta convocação do presidente é um ato verdadeiramente fora do estado de direito, que devemos recusar. Vemos uma ditadura que não podemos patrocinar sob nenhum ponto de vista", afirmou. "É uma ameaça do presidente ao povo. O povo não pode tudo para ele. Não seria uma repetição da eleição, sim uma nova eleição", continuou o político.  O anúncio de Uribe impactou os mercados financeiros, e nos primeiros minutos de uma sessão volátil, o peso caiu até 5,7% com relação ao fechamento de quinta-feira. "Estamos criando a crise perfeita, temos a crise regulatória no mercado do dólar e estamos somando a isso a crise política", disse Ricardo Durán, diretor de investigações econômicas da empresa Corredores Asociados. Outros especialistas em economia concordaram que o anúncio de Uribe, que tem popularidade de quase 80% causa uma incerteza política que se soma à jurídica, depois das recentes modificações cambiais por parte do Banco Central. O analista político Pedro Medellín disse que está acontecendo uma concentração excessiva de poder nas mãos do presidente, que iniciou seu primeiro mandato em 2002. "É uma decisão desproporcional. stamos caminhando para uma perigosa concentração de poder no executivo", afirmou. Mas o ministro do Interior, Fabio Valencia, defendeu a iniciativa de Uribe e disse que a forma de resolver dúvidas sobre a legalidade da reeleição é através de um referendo. A presidente do Congresso, Nancy Patricia Gutiérrez, afirmou que o legislativo está pronto para estudar o projeto de referendo enviado pelo governo.   Entretanto, o Legislativo da Colômbia enfrenta uma crise devido a um escândalo que mandou para prisão pelo menos 32 legisladores, enquanto outros 30 são investigados por suposta ligação com os esquadrões paramilitares de ultradireita.   Denúncia   O ministro colombiano de Proteção Social, Diego Palacio, disse nesta sexta que denunciará aos magistrados da Corte Suprema de Justiça (CSJ) por "afirmações falsas" que emitiram contra ele em uma sentença que condenou a ex-congressista que teria sido subornada para votar a favor da reeleição.   Palacio explicou que ao ler a sentença por completo a Corte encontro que há "umas afirmações que são falsas" referentes a sua participação no processo contra Yidis Medina.   "Denunciarei hoje e solicitarei que a comissão de acusações da Câmara de Representantes investigue as afirmações que foram feitas", acrescentou o ministro. Palácio reiterou que na sentença há afirmações falsas que os magistrados da CSJ devem provar.    

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