Oposição conquista mais espaço regional na Bolívia

O Departamento de Chuquisaca(Bolívia) elegeu no domingo como governadora uma candidata daoposição, desferindo um novo golpe contra o governo de esquerdado presidente Evo Morales a apenas seis semanas de umimportante referendo convocado para confirmar os mandatos delee de outras autoridades importantes do país. O governo federal não demorou muito para aceitar oresultado, baseado em projeções divulgadas por canais de TV, edisse que espera que o pleito em Chuquisaca não prejudique oreferendo de 10 de agosto, ao qual se opõem cinco governadoresda oposição. Essa é a quinta vitória eleitoral sucessiva da direitacontra Morales em cinco meses. Nesse período, quatroDepartamentos bolivianos realizaram plebiscitos não autorizadospelo governo central a fim de conquistar uma maior autonomia eopor-se à nova Constituição defendida pelo presidente. Os canais de TV privados ATB e Unitel projetaram que SavinaCuéllar, uma dissidente do governo e candidata pela coalizãocívica aliada do movimento que lidera o Departamento de SantaCruz, obteve entre 55 e 56 por cento dos votos. O candidato governista e ex-ministro dos Recursos Hídricos,Walter Valda, teria ficado com 40 por cento dos votos. Orestante dos votos foi conquistado por um pequeno partidoesquerdista da região. Os primeiros resultados oficiais devem ser divulgados aindana segunda-feira, afirmaram autoridades eleitorais. "A mensagem de hoje é de que, se a oposição se junta, podeser vitoriosa", disse à ATB o analista de política GonzaloMendieta, observando que o grande embate entre Morales e osgovernadores departamentais ocorrerá no referendo confirmatóriode 10 de agosto. A eleição de Cuéllar coloca nas mãos da oposição o comandode nove Departamentos. Esse quadro pode mudar, no entanto, se,como prevêem várias pesquisas, o processo confirmatórioprovocar a saída de alguns governadores. O presidente, seu vice, Álvaro García, e os governadoresdevem submeter-se ao referendo simultaneamente para ratificarseus mandatos. O processo foi convocado para resolver oconflito em torno da mudança da Constituição e da obtenção deautonomia regional (tema que se transformou em bandeira daoposição). Morales, que diz contar com mais de 60 por cento de apoionas urnas, desafiou de novo, no domingo, os governadores quenão aceitarem o referendo. "Não tenham medo do povo, que dirá, no referendo, se esseprocesso de mudança deve ou não prosseguir", afirmou opresidente em um ato político realizado no Departamento deCochabamba (região central da Bolívia). Morales, amigo pessoal do presidente venezuelano, HugoChávez, prometeu "refundar" a Bolívia sob uma bandeira indígenae socialista. (Por Carlos Alberto Quiroga)

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