Oposição critica 'mudanças' no governo da Argentina

Para opositores, trocas são 'cosméticas' e não representam a vontade da população expressada nas urnas

Efe,

08 de julho de 2009 | 15h08

A oposição ao governo da presidente argentina Cristina Kirchner criticou nesta quarta-feira, 8, a reestruturação da administração, acusando a mandatária de ignorar a necessidade de "uma troca de rumo" após a derrota governista nas eleições legislativas no dia 28 de junho.

 

Os opositores também criticaram o poder que é concedido ao marido de Cristina, o ex presidente Néstor Kirchner, que governou o país de 2003 a 2007.

 

"Sem dúvidas, o matrimônio presidencial não traz mudanças. Trabalham com a mesma equipe, apenas trocam as peças de lugar", afirmou a jornalistas Gerardo Morales, líder da União Cívica Radical (UCR), segunda maior força política do país da frente oposicionista.

 

"Enquanto Néstor Kirchner estiver no poder, nada vai mudar", advertiu o empresário Francisco De Narváez, um dos líderes da coalizão União-Pró, formada por peronistas dissidentes com a conservadora Proposta Republicana (Pro).

 

Cristina se dispôs a fazer uma reestruturação do governo na terça-feira ao aceitar a renúncia do chefe de gabinete de ministros, Sergio Massa, do titular da pasta de Economia, Carlos Fernández, e do secretário de Cultura, José Nun.

 

O ministro da Justiça, Aníbal Fernández, assumirá nesta quarta-feira a chefia de gabinete e será substituído na pasta por Julio Alak, o presidente das Aerolíneas Argentinas, estatizada no ano passado após a abertura de um inquérito administrativo contra seu proprietário, o grupo turístico espanhol Marsans.

 

Amado Boudou assumirá como o novo ministro da Economia e em seu lugar à frente da Administração Nacional da Segurança Social (Anses) será ocupado por Diego Bossio.

 

Como novo presidente da companhia aérea estatal ficará Mariano Recalde, um advogado vinculado à Confederação Geral do Trabalho (CGT), o maior e mais antigo sindicato do país, cujo líder, Hugo Moyano, é um dos aliados do governo.

 

A reforma do gabinete, que sucede outra já realizada pela presidente no ano passado, se completará com a posse de Jorge Coscia, cientista político e social, no Ministério da Cultura.

 

Na semana passada, em meio ao avanço da gripe suína no país, Cristina designou como ministro da Saúde Juan Manzur e Juan Pablo Schiavi como secretário dos Transportes, que substituíram Graciela Ocaña e Ricardo Jaime respectivamente.

 

O líder da UCR na Câmara dos Deputados, Oscar Aguad, afirmou que o governo peronista de Cristina fez "mudanças cosméticas" e com elas "deu a má notícia de que não está disposta a mudar de rumo".

 

Margarita Stolbizer, deputada eleita pelo Acordo Cívico e Social, considerou que o governo "começa a demonstrar que reconhece a derrota, mas que o remédio acaba sendo um coquetel para misturar funcionários como ingredientes". "Néstor seguirá como o barman que os mistura", disse a deputada à edição online do diário La Nación, de Buenos Aires.

 

De Narváez disse que a Argentina "merece uma mudança drástica em sua política, não dos homens que a fazem" por que "o país está à deriva", e insistiu que "quem deve ser retirado do governo é Kirchner". "Temos que falar com os organismos internacionais de crédito e o gabinete segue obedecendo Kirchner", disse o dirigente da União-Pró.

 

A poucas horas de assumir o posto de chefe de gabinete, Aníbal Fernández disse nesta quarta-feira, 8, que povo deu uma derrota eleitoral ao governo porque "evidentemente pede reformas em algumas políticas".

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