Oposição culpa Chávez por corrupção bancária

Um líder oposicionista da Venezuela acusou nesta quinta-feira o presidente Hugo Chávez de fazer vista grossa à corrupção de aliados ricos, que estariam fraudando alguns bancos.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

03 de dezembro de 2009 | 19h06

"Este é um governo de ladrões", disse Henry Ramos Allup à Reuters na sede do seu partido Ação Democrática.

"Todo mundo sabe quais autoridades enriqueceram (...). Ou ele (Chávez) não quer saber, ou sabe e não faz nada porque são muitas pessoas, possivelmente até ele, comprometidas com o que está acontecendo."

Allup, cujo próprio partido foi acusado de corrupção em grande escala quando ocupava o poder, publicou nesta semana uma lista de 11 personalidades que estariam sendo coniventes com a corrupção.

As declarações dele - após o fechamento de quatro pequenos bancos privados nesta semana por problemas administrativos, e de ameaças de nacionalização bancária feitas por Chávez - contribuem para a ansiedade em torno do sistema bancário do país.

A associação de bancos privados apoia o governo em suas recentes ações e diz que o sistema financeiro está funcionando normalmente.

Na quarta-feira, Chávez negou ser conivente com uma máfia bancária e acusou a oposição de insuflar a mídia contra o governo e de travar uma guerra psicológica contra ele.

"Agora a máfia me acusa de ser da máfia. Eles acham que chegou o momento para se livrar de Chávez, para atingir Chávez (...). Digo ao meu povo: 'Não se deixe enganar,'" afirmou o presidente.

Allup, que diz investigar há meses o setor financeiro, afirmou que 70 por cento dos cerca de 45 bancos da Venezuela estão em bom estado. Quanto ao restante, teriam sido comprados e mal administrados por aliados de Chávez nos últimos anos e estariam vulneráveis.

Embora um rico ex-aliado do governo dono de um dos quatro bancos fechados tenha sido preso, Allup disse que Chávez está atacando a oposição e preparando nacionalizações em vez de resolver as causas do problema.

O político diz que tem sido intimidado desde segunda-feira, quando começou a detalhar suas acusações.

"A reação é sempre contra quem denuncia, não (contra) quem transgride," disse ele, acrescentando que sua família recebeu telefonemas ameaçadores e que dois carros o perseguiram e o acuaram no estacionamento de um hotel pouco antes da entrevista.

(Reportagem adicional de Patricia Rondon)

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