Oposição da Venezuela exige dados sobre inflação

A oposição da Venezuela acusou o governo de atrasar a publicação dos dados sobre a inflação de março por razões políticas e disse que a taxa anual alcançou alarmantes 60 por cento.

Reuters

14 de abril de 2014 | 12h46

O Banco Central deveria publicar o índice de preços ao consumidor nos primeiros 10 dias do mês, mas atrasos não são incomuns.

A Venezuela possui a mais alta inflação das Américas, o que a oposição afirma ser evidência da falha do socialismo, enquanto o presidente Nicolás Maduro acusa os opositores de sabotagem, acumulação de bens e condução de uma "guerra" econômica contra ele.

"Os diretores do Banco Central violaram suas próprias normas... isso é inaceitável", disse a coalizão de oposição Mesa de Unidade Democrática (MUD) no final de semana, demandando a imediata publicação dos dados de março sobre inflação e escassez.

"Grandes danos são causados à nação quando as autoridades monetárias escondem informação estatística."

A coalizão disse ter informação de que o acumulado da inflação em 12 meses subiu de 57,3 por cento em fevereiro para 60 por cento em março.

O líder de oposição Henrique Capriles, que em ocasiões anteriores já antecipou números exatos de inflação citando fontes suas no governo, disse pelo Twitter que a inflação de março foi superior a 4 por cento.

"Isso é mais do que um ano (de inflação) em vários países da América Latina!", disse ele. O índice de escassez, que mede a falta de bens, bateu um novo recorde, acrescentou Capriles.

Uma das principais demandas da oposição em um nascente diálogo com o governo, fruto de dois meses de protestos de rua, é maior transparência das finanças públicas. Uma segunda rodada de reuniões entre ambos os lados está marcada para terça-feira.

Uma porta-voz do Banco Central disse nesta segunda não saber quando a inflação de março vai ser publicada. "Até agora, nós não temos informação sobre isso", disse ela.

(Por Andrew Cawthorne)

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