Oposição da Venezuela teme perseguição, mas Maduro promete proteção

Líderes da oposição da Venezuela afirmaram nesta quarta-feira que temem perseguição contra os protestos pós-eleitorais, mas o presidente eleito Nicolás Maduro prometeu proteger seu rival.

ANDREW CAWTHORNE E DANIEL WALLIS, Reuters

17 de abril de 2013 | 13h03

A vitória apertada de Maduro na votação presidencial ainda não foi reconhecida por Henrique Capriles, que está exigindo uma recontagem e alegando milhares de irregularidades nos postos de votação.

Os Estados Unidos deram força aos apelos por recontagem nesta quarta, depois que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, declarou que ainda não decidiram se reconhecem Maduro como presidente da Venezuela, à espera de um esclarecimento da controvérsia sobre a recontagem dos votos.

Sete pessoas morreram em protestos liderados pela oposição, e o governo prometeu uma ação legal contra Capriles e outros que acusam de incitar a violência.

A agitação, poucas semanas após a morte do ex-líder socialista Hugo Chávez, deixou clara a profunda polarização de um país dividido ao meio entre facções pró e antigoverno, e deixou os 29 milhões de habitantes inquietos.

Durante a noite, Capriles alegou que o governo tinha ordenado gangues para atacar os seus partidários e até mesmo sua residência oficial no Estado de Miranda, onde ele é o governador.

"Qualquer coisa que acontecer comigo na residência oficial em Los Teques é de responsabilidade de Nicolás Maduro!", declarou.

Apesar de exigir uma ação legal contra Capriles e chamá-lo de fascista, Maduro, no entanto, disse que ele seria protegido.

"Eu sou um homem de paz e de palavra. Eu pedi à (agência estatal de inteligência) Sebin para manter a proteção do ex-candidato da direita, embora ele tenha se livrado de quem o estava protegendo", declarou Maduro via Twitter.

MARCHA DA OPOSIÇÃO CANCELADA

Capriles tinha planejado liderar uma marcha de protesto no Conselho Nacional Eleitoral nesta quarta-feira, mas Maduro proibiu. O líder da oposição, mais tarde, cancelou o evento, dizendo que o governo havia planejado iniciar uma confusão e culpá-lo.

As cenas de segunda-feira de partidários da oposição atacando escritórios do Partido Socialista, clínicas administradas pelo governo e pessoas comemorando a vitória de Maduro foram prejudiciais à causa de Capriles, que ele definiu como a democracia contra a autocracia.

Evocando a memória emotiva de uma tentativa de golpe de 2002 contra Chávez, que durou apenas 48 horas, mas levou a uma radicalização do governo e um descrédito da oposição da Venezuela, Maduro acusou o lado de Capriles de planejar um golpe de Estado.

Cerca de 135 pessoas foram presas e mais de 60 ficaram feridas durante os violentos confrontos de segunda-feira, incluindo uma mulher que uma multidão tentou queimar viva, disseram autoridades. Os protestos foram mais silenciosos na terça-feira.

Milhares de partidários de Capriles promoveram manifestações pacíficas em frente aos escritórios do Conselho Eleitoral em todo o país.

Capriles, 40 anos, diz que o governo é responsável pela violência porque negou pedidos razoáveis de uma recontagem total. Maduro venceu com 50,8 por cento dos votos contra 49,0 por cento para Capriles, de acordo com a autoridade eleitoral Do país.

Maduro deve tomar posse na sexta-feira.

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