Oposição denuncia Lugo por estupro de mãe de seu filho

Notícia da existência de suposto filho do presidente do Paraguai tumultuou o plácido feriado da Pácoa

Ariel Palacios, de O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2009 | 18h24

O oposicionista Partido Colorado denunciou o presidente paraguaio Fernando Armindo Lugo pelo delito de estupro. A denúncia foi realizada perante os tribunais em Assunção pela senadora Lilian Samaniego, principal líder dos colorados. A senadora exige que a Justiça investigue se o presidente e ex-bispo Lugo estuprou Viviana Carrillo quando esta tinha 16 anos. Menor de idade na época, a jovem possui atualmente 27 anos. Em 2007 ela deu à luz a Guillermo Armindo, filho do então monsenhor.

 

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A notícia da existência desse suposto filho do presidente tumultuou o plácido feriado da Pácoa. Para evitar o crescimento do escândalo, na segunda-feira da semana passada Lugo reconheceu a criança e a registrou no cartório.

 

Segundo Samiengo, em nenhum momento o presidente Lugo negou que a relação entre ele e Viviana havia iniciado quando esta era menor de idade.

 

O Código Penal paraguaio considera que é delito de estupro quando um homem maior de idade seduz uma mulher de 14 a 16 anos. "A cidadania deve saber com clareza se seu presidente cometeu ou não um fato com características puníveis", disse a líder da oposição.

 

A denúncia de estupro acumula-se com um segundo escândalo, surgido nesta segunda-feira, quando a vendedora de detergentes Benigna Leguizamón anunciou que Lugo a havia induzido a ter relações sexuais. O resultado da relação foi um filho, Lucas Fernando, atualmente com seis anos.

 

Nesta terça, Benigna reuniu-se em Assunção com o advogado de Lugo, Marcos Fariña. O advogado havia proposto a realização de um exame de DNA em uma clínica privada para comprovar a paternidade de Lugo. Mas, a reunião terminou em discussão. Benigna saiu furiosa do encontro, e - depois de explicar que teme a manipulação dos exames - afirmou que nesta quarta-feira entrará com um processo na Justiça contra o presidente.

 

Nos muros das residências em Assunção surgiram diversas irônicas pichações chamando Lugo de "o semental da pátria".

 

No meio da saraivada de escândalos sobre sua vida sexual, Lugo cancelou a viagem para Washington programada para esta quinta.

 

Lugo foi eleito no ano passado com 40% dos votos. Ele derrotou o Partido Colorado, que havia estado 61 anos ininterruptos no poder.

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