Oposição diz que negociação com Evo Morales 'agoniza'

Diálogo na Bolívia é afetado pela prisão do governador de Pando, acusado de ordenar a morte de camponeses

Agências internacionais,

16 de setembro de 2008 | 17h54

O diálogo entre o governo boliviano e a oposição para frear uma onda de violência política no país entrou em crise depois que militares prenderam o governador de Pando, Leopoldo Fernández, disse nesta terça-feira, 16, um líder opositor. "Para nós o diálogo não morreu, mas agoniza", declarou o governador do Departamento de Tarija, Mario Cossío, que representa a oposição nas conversas com o governo. Mais cedo, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que o diálogo para o fim da crise "está aberto a todos os setores", mas não a Fernández, acusado de ordenar assassinatos de camponeses em seu Departamento, onde pelo menos 15 morreram.   "Esperamos que nas próximas horas o presidente da República possa refletir sobre o impacto de sua decisão em um processo que talvez se tornava a última oportunidade para pacificar nosso país e começar a construir um grande acordo nacional", completou Cossío.     Veja também: Santa Cruz exige libertação do governador de Pando EUA irão começar a retirar cidadãos americanos da Bolívia Opositores acusam Chávez de controlar Evo Bolívia tem histórico de golpes e crises   Entenda os protestos da oposição na Bolívia  Entenda o que é a Unasul Enviada do 'Estado' mostra fim dos bloqueios Imagens das manifestações     Evo pediu a seus opositores que "não façam o povo sofrer". "Que não nos dêem pontapés, que não nos espanquem", disse o presidente em um telefonema dado no meio de uma entrevista coletiva que era concedida pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.   Sobre a exclusão do governador de Pando das conversas com o governo, Evo, que agradeceu o apoio da União de Nações Sul-americanas (Unasul) na gestão da crise, acrescentou: "Este é um caso muito grave. Não podemos perdoar pessoas que massacram o povo."   O Executivo boliviano pediu 30 anos de prisão para o governador pandino por instigar o violento enfrentamento armado entre civis ocorrido em 11 de setembro na localidade de Porvir, onde mais de 100 pessoas seguem desaparecidas. O governo justificou a detenção de Fernández alegando que ele desacatou o estado de sítio em seu Departamento e defendeu a constitucionalidade da decisão.  Desde o último sábado, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, e Cossío tentam pactuar um documento de pré-acordo que firme as bases da eventual negociação entre as partes políticas em conflito. Mas ao conhecer a notícia da detenção de Fernández, Cossió abandonou o Palácio do Governo de La Paz.   Roberto Ruiz, um senador de Tarija que foi com Cossío às reuniões, confirmou que o processo ficou "suspenso, embora não acabado". Segundo o senador, o governador opositor e sua delegação estão retornando a sua região para estudar o assunto da detenção, qualificada por ele como "ato abusivo e arbitrário", principalmente quando estava "praticamente pronto o documento" sobre as bases do diálogo.   Libertação de Fernández   Após insistir que as conversas não tinham sido encerradas totalmente, Ruiz afirmou que "a imediata libertação de Fernández significaria a imediata assinatura do acordo de pacificação nacional."   A detenção do governador provocou uma manifestação espontânea em seu apoio na cidade de Santa Cruz, onde o Comitê Cívico local exigiu a libertação, enquanto sugeria aos cidadãos que "não caiam nas provocações" e que continuem o diálogo com o Governo central.   Em La Paz, antes de a reunião ser suspensa, Evo afirmou que o documento de trabalho ainda não concluído "pode ser uma base para seguir dialogando", mas anunciou que o revisará com os movimentos sociais que o apóiam.   Impasse   Os principais temas da controvérsia entre governo e opositores são a repartição territorial das rendas petrolíferas, a nova Constituição impulsionada por Evo e o regime autônomo defendidos por líderes de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.   O presidente boliviano se incorporou às conversas com seus opositores agora interrompidas após retornar da cúpula da Unasul, que se reuniu em Santiago na segunda-feira. Na reunião, ele onde obteve grande respaldo dos chefes de Estado e governo da região.  

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