Oposição entra dividida em diálogo de Cristina Kirchner

União Cívica Radical e socialistas foram os únicos a atender aos chamados do governo para reformas políticas

Efe,

15 de julho de 2009 | 16h28

A União Cívica Radical (UCR), segundo partido com maior força parlamentar na Argentina, e os socialistas são os únicos membros da coalizão de oposição Acordo Cívico e Social que aceitaram participar nesta quarta-feira, 15, da primeira rodada de diálogo convocada pelo governo da atual presidente Cristina Kirchner.

 

"Uma vez que o governo convocou, não vamos fazer outra coisa se não comparecer. Será responsabilidade do governo fazer que isso não fracasse, embora também tenhamos responsabilidade", declarou o líder da UCR, Geraldo Morales, a rádio locais.

 

Morales também afirmou que vai lutar por uma "agenda mais ampla" que a proposta pelas autoridades e negou que o Acordo Cívico e Social se veja afetado pela recusa da Coalizão Cívica a participar das conversas que ocorrerão na Casa Rosada, sede do governo argentino.

 

O líder da UCR destacou também que cada membro do Acordo Cívico e Social mantém sua independência de critério e que está "tudo bem" na aliança opositora, conforme conversou com a líder da Coalizão Cívica, Elisa Carrió.

 

O diálogo com "todos os setores" foi convocado por Cristina na última quinta-feira, dez dias depois da derrota governista nas eleições legislativas de 28 de junho, na qual conseguiram a maioria no Congresso o Acordo Cívico e Social e o União-Pró, partido proveniente de uma aliança entre peronistas dissidentes e a Proposta Republicana (PRO).

 

A PRO, liderada pelo prefeito de Buenos Aires, o empresário Mauricio Macri, aceitou o convite ao diálogo, diferentemente de Francisco De Narváez, seu aliado na coalizão União-Pró, que venceu o ex-presidente Néstor Kirchner nas eleições legislativas na província.

 

Propostas

 

A reforma do sistema político argentino é o ponto principal a ser discutido no diálogo proposto pela administração de Cristina, que ante a recusa da oposição em participar decidiu abrir as negociações a outros temas.

 

Morales indicou que a UCR colocará a necessidade de frear a alta da pobreza e buscar uma regra com o setor agropecuário, em guerra desde o ano passado pela pressão e as regulações do Fisco.

 

A UCR também se propõe a discutir a anulação da lei que permite ao Executivo mudar o destino de fundos do Orçamento, mudanças no Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), acusado de manipular números de inflação, e a instrumentação de uma "tarifa social" para os serviços públicos.

 

"Depois da derrota sofrida nas urnas, o Governo pretende construir um simulacro de mudança sem que, no substantivo, nada mude", assegurou a Coalizão Cívica em comunicado em rejeição ao mecanismo de diálogo proposto pelas autoridades.

 

De acordo com a Coalizão Cívica, os debates devem acontecer no Parlamento, onde a peronista Frente para a Vitória e seus aliados perderão a maioria em 10 de dezembro próximo, quando os legisladores escolhidos no último pleito assumirão.

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