Oposição nega tentativa de golpe na Bolívia

Diante das tensões antes do referendo, governo declarou que país está à beira de um golpe de Estado

Efe,

07 de agosto de 2008 | 21h29

O ex-presidente da Bolívia Jorge Quiroga (2001-2002), líder da aliança opositora Poder Democrático e Social (Podemos), afirmou nesta quinta-feira, 7, que a denúncia do governo do presidente Evo Morales, de que o país está à beira de um golpe de Estado, é uma "cortina de fumaça em que ninguém acredita". Quiroga disse em entrevista coletiva que o Executivo "já formulou 38 vezes essa denúncia" que, segundo sua opinião, "carece de veracidade." Veja também:Bolívia vive crise antes de referendoIgreja e Exército tentam reduzir tensão na BolíviaImpedido de visitar 4 cidades, Evo diz que Bolívia vive ditadura No entanto, pediu ao governo que prenda aqueles que o Estado acredite que estejam cometendo ações fora da lei. A denúncia foi realizada pelo ministro da Presidência Juan Ramón Quintana, em entrevista concedida à rádio estatal Patria Nueva, na qual assegurou que o país está no "limiar de um verdadeiro golpe contra a ordem constitucional." Segundo Quintana, a ação golpista na Bolívia age "segundo o típico estilo das ditaduras que precederam a recuperação da democracia no país, em 1982", e é promovida pelos governadores departamentais opositores, alguns deles em greve de fome. Os governadores departamentais em greve são os de Santa Cruz, Rubén Costas; Beni, Ernesto Suárez, e Pando, Leopoldo Fernández, todos eles aliados em sua demanda por autonomia. Nas próximas horas, devem se somar à greve a governadora de Chuquisaca, Savina Cuéllar, e o de Tarija, Mario Cossío. Quiroga rejeitou a denúncia e replicou que o governo Morales deve, por outro lado, esclarecer "o terrorismo de Estado que segue impune", em alusão a uma denúncia contra um militar membro da segurança do presidente que, em junho, teria participado de um atentado contra um canal de televisão que criticava o Executivo. "Peço aos bolivianos que não se deixem distrair. Todos os que estão causando controvérsia estão distraindo em relação ao exercício eleitoral de domingo. No domingo, digam: 'não a mais inflação, não a mais chavismo, não a mais divisão, não a mais terrorismo de Estado", disse o ex-presidente. Quiroga convocou dessa forma a população a votar contra Morales no referendo revogatório ao qual o presidente, seu vice-presidente, Álvaro García Linera, e oito governadores departamentais submeterão seus mandatos, neste domingo, 10 de agosto.

Tudo o que sabemos sobre:
Bolíviareferendo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.