Oposição paraguaia diz que não reconhecerá primeira apuração

Coalizão de Lugo declara que não confia nos primeiros resultados que sairão horas depois do fim da eleição

Efe,

17 de abril de 2008 | 16h13

A coalizão opositora que promove a candidatura do ex-bispo Fernando Lugo na corrida à Presidência paraguaia anunciou nesta quinta-feira, 17, que não reconhecerá os resultados preliminares dos comícios eleitorais gerais do domingo, por desconfiança nas autoridades locais. O Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) divulgará os primeiros resultados horas depois que a votação se encerrar nos colégios eleitorais, através de um sistema de transmissão rápida (TREP).   Veja também: Paraguai vota para presidente em meio a denúncias Ouça análise do professor Francisco Doratiotto sobre a política paraguaia  Ouça o relato do enviado especial Ariel Palacios sobre o clima pré-eleitoral    O representante da Aliança Patriótica para a Mudança (APC), Juan Carlos Ramírez Montalbetti, disse a rádio AM970 que a oposição não teve participação no planejamento nem nos detalhes do programa eletrônico do sistema. O legislador, senador do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), a segunda força eleitoral do país, destacou que "não há garantias de que a transmissão dos resultados aconteça de maneira neutra e sabe-se perfeitamente como se faz para manipular os resultados."   "Os resultados favoráveis à oposição não se transmitem, então com essa seleção arbitrária podem passar um resultado quase 92% favorável ao partido do governo", afirmou. O senador acrescentou que "o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral tem sido repetidamente acusado neste processo", sugerindo uma crise se os resultados preliminares darem como vencedora a ex-ministra Blanca Ovelar, do Partido Colorado, e a boca de urna dos médios de comunicação e o APC apontarem Lugo como ganhador.   Segundo o legislador, de cada dez funcionários que controlam este sistema, sete são do governo e três da oposição. O vice-presidente do TSJE, Juan Manuel Morales, no entanto, negou as denúncias da oposição e assegurou nesta quinta-feira que tudo está pronto para a jornada eleitoral, e que estão convocados mais de 2,8 milhões de paraguaios, de uma população de 6 milhões.   Lugo aparece como favorito em todas as pesquisas, com pelo menos seis pontos de vantagem sobre Ovelar e Lino Oviedo, um ex-general líder da União Nacional dos Cidadãos Éticos (Unace).   Advertência a Chávez   Por sua vez, o presidente paraguaio, Nicanor Duarte, advertiu o líder venezuelano, Hugo Chávez, para que não meta nos assuntos internos do Paraguai, afirmando ter informações de que há venezuelanos ajudando Lugo. "Nós temos informes de que grupos muitos importantes, próximos ao presidente Chávez, estão colaborando com o bispo Lugo", disse Duarte, em uma entrevista ao canal venezuelano Telesur, segundo o jornal La Nación.   "Minhas saudações cordiais aos filhos da Venezuela que estão me escutando. Peçam a suas autoridades que não metam o nariz em nosso país", acrescentou.   Debate   Ainda nesta quinta-feira, Lugo desistiu de participar do último debate televisivo entre os principais candidatos presidenciais três dias antes das eleições gerais do Paraguai.   Em carta dirigida ao jornalista Humberto Rubín, o moderador do debate, o chefe de campanha de Lugo, Miguel Ángel López Perito, indica que "não existem neste momento as condições políticas para poder participar de um encontro destas características".   "Os cidadãos paraguaios merecem todo o respeito, um respeito que foi vulnerado sistematicamente nos últimos dias e horas na campanha eleitoral desenvolvida por outras candidaturas à Presidência da República", diz a mensagem.   Fontes da APC disseram que a decisão se deve aos permanentes ataques que o ex-sacerdote recebeu dos outros candidatos presidenciais. O programa televisivo contará com a participação de Blanca Ovelar, Oviedo e do empresário Pedro Fadul.

Tudo o que sabemos sobre:
Fernando Lugoeleições no Paraguai

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.