Oposição paraguaia se divide entre Lugo e Oviedo

Coalizão que pretende quebrar hegemonia de 60 anos da situação não definiu seu candidato

Agência Estado e Associated Press,

18 de setembro de 2007 | 20h13

A coalizão opositora formada há um ano com intenções de derrotar o oficialista Partido Colorado, que está há 60 anos no poder no Paraguai, dividiu-se definitivamente nesta terça-feira, 18, quando o candidato presidencial e ex-bispo católico Fernando Lugo comandou a criação de outro bloco de oposição, marginalizando ao ex-general Lino César Oviedo, "porque ele é uma figura do passado". As eleições nacionais acontecerão em 20 de abril de 2008 e será eleito um governo de cinco anos. "Oviedo é uma figura do passado no Paraguai; nós olhamos para o futuro com otimismo porque o país precisa de mudanças profundas e urgentes," disse Lugo aos jornalistas. Mais cedo nesta terça-feira, Lugo liderou as negociações para a criação da denominada Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), integrada por sete partidos opositores, em substituição ao bloco Concertação Nacional, cuja existência política terminou nesta quinta-feira de maneira abrupta. A nova frente não conta com a participação do Partido União Nacional de Cidadãos Éticos (Punace), de Oviedo. A Concertação Nacional começou a se debilitar há duas semanas, especificamente algumas horas após Oviedo ter se beneficiado da liberdade condicional, depois de cumprir mais de 50% de uma condenação de 10 anos de cárcere por tentar derrubar em 1996 o então presidente Juan Carlos Wasmosy. A maioria dos partidos da Concertação não manifestou nenhuma alegria pela libertação de Oviedo. Inclusive, alguns dos seus líderes expressaram a suspeita de que houve um acordo de bastidores entre o ex-general e o atual presidente Nicanor Duarte para enfraquecer a oposição, o que foi negado pelo mandatário. "Sou um esquerdista doutrinário, mantenho a minha opção preferencial pelos pobres, mas sou muito franco," declarou Lugo, para em seguida assinalar que o Paraguai "requer a implementação de uma reforma agrária total e o fortalecimento das instituições estatais." "Tudo isso nós faremos após ganhar as eleições," afirmou Lugo.

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