Oposição peruana diz que García ameaça a democracia

Líderes da oposição peruana qualificaram na quarta-feira o presidente Alan García como uma ameaça à democracia, depois que ele disse a investidores que poderia impedir a vitória de um candidato esquerdista na eleição de 2011.

DANA FORD, REUTERS

25 de março de 2009 | 22h16

As declarações, num discurso de rara franqueza a executivos latino-americanos, pretendiam afastar os temores dos mercados com a candidatura do ultranacionalista Ollanta Humala, aliado do presidente socialista da Venezuela, Hugo Chávez.

"O presidente não pode escolher seu sucessor, mas pode impedir que o próximo presidente seja alguém que ele não quer", disse García, que posteriormente recuou da declaração.

Humala, que quase derrotou García na eleição de 2006, e a conservadora Lourdes Flores, também candidata naquele pleito, disseram que o presidente está deslocado.

"Numa democracia, só o povo pode decidir quem governa. O povo não precisa de messias ou tutores", afirmou Flores.

Humala, um ex-general que acusa o governo de tratá-lo como um bicho-papão, se disse ofendido. "Os comentários do presidente são uma ameaça ao Estado de direito e à democracia", afirmou ele a jornalistas.

Depois da polêmica, García afirmou a jornalistas que quis dizer que o povo apoiará candidatos menos radicais se as posições do governo em prol dos mercados aliviarem a pobreza e gerarem empregos.

"Se for escolhido um modelo que seja contra o sistema, contra os investimentos, o livre comércio e o desenvolvimento, então cairemos na recessão, na regressão e na miséria", disse ele.

García disse que outros países da região que elegeram governos esquerdistas sofreram, e afirmou que o sucesso econômico peruano irá "podar as asas de qualquer extremista que desejar seguir o caminho de outros países latino-americanos em direção ao desastre".

O presidente, que não pode disputar um novo mandato, ainda não anunciou sua escolha para 2011. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, e Luis Castañeda, prefeito de Lima, aparecem nas pesquisas empatados em primeiro lugar, um pouco à frente de Humala.

Desde a posse de García, a economia peruana cresceu quase 10 por cento ao ano, enquanto durou o "boom" das commodities. Críticos dizem que ele não aproveitou a fase de prosperidade para reduzir a pobreza, que afeta 40 por cento da população.

(Reportagem adicional de Marco Aquino e Terry Wade)

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