Oposição promete parar dois terços da Bolívia

Governadores de seis províncias lideram greve; Congresso impede opositores de integrar votação de leis

Agências internacionais,

28 de novembro de 2007 | 09h43

Seis das nove provícias da Bolívia promovem nesta quarta-feira, 28, um dia de greve, com manifestações e bloqueios contra o projeto de Constituição do presidente Evo Morales. A paralisação acontece após a notícia de que o Congresso do país aprovou mais leis sem a participação de representantes da oposição, impedidos de integrar a votação.   Veja também: Especial: Tensão na América do Sul    Os congressistas bolivianos, aliados de Evo, aprovaram nesta madrugada duas leis enquanto deputados camponeses partidários do governo impediam a entrada dos opositores no Parlamento, segundo mostraram canais de televisão. Fontes parlamentares explicaram que o governo voltou a reunir congressistas suficientes para deliberar com a ajuda de alguns suplentes de deputados e senadores da oposição, enquanto os titulares tinham o acesso negado.   Segundo os jornais bolivianos La Razón e El Mundo, a paralisação deve atingir as regiões de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija, Cochabamba e Chuquisaca, correspondendo a mais de dois terços do país e onde há uma forte liderança opositora nos setores político, civil e empresarial.   Os líderes dessas regiões não reconhecem a nova Carta Magna, aprovada em primeira instância pelo partido do governo, o Movimento Ao Socialismo (MAS), e seus aliados, reclusos em instalações militares de Sucre, à revelia da oposição, e em um clima de violência que deixou três mortos e outros 300 feridos.   A greve também é um "ato de repúdio" aos episódios de violência ocorridos em Sucre, em Chuquisaca, onde três pessoas morreram em confrontos entre a polícia e manifestantes. Um policial que até então acreditava-se estar morto, reapareceu em Sucre na terça-feira. A morte do policial foi usada como justificativa para a polícia retirar-se da cidade.   O porta-voz do presidente Morales, Alex Contreras, tachou a greve "de política e partidária, que defende a política neoliberal", e insistiu em que não pode ser considerada "cívica", como proclamam os dirigentes dessas regiões, que somam 58% dos quase dez milhões de bolivianos.   O projeto de Carta Magna aprovado no último sábado em Sucre inclui direitos exclusivos para "nações e povos indígenas, originais e camponeses", conforme uma versão extra-oficial do novo texto, publicada na terça-feira pelo jornal de La Paz La Prensa.   A oposição criticou dizendo que o texto constitucional, aprovado por 136 votos de 255 constituintes eleitos em 2006, ignora metade do país, já que o partido de Morales ganhou esse pleito com apenas 50,7% dos sufrágios.   Os dirigentes das regiões opositoras que participarão da greve também apoiaram a reivindicação de Chuquisaca de que Sucre seja a capital efetiva e não somente a oficial do país.   Morales deu na segunda-feira uma amostra de seu poder de convocação em La Paz, quando liderou uma manifestação de apoio à Constituição aprovada e a um projeto de lei com o objetivo de pagar um beneficio a maiores de 60 anos.   A legislação vigente estabelece que a nova Carta Magna deve ter cada um de seus artigos aprovados e depois ser revisada, antes de ser submetida a um referendo para que entre em vigor.   (com Ruth Costas, do Estadão)

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