Oposição quer primárias para escolher rival de Chávez em 2012

Animada por seu desempenho na eleição parlamentar de domingo, a oposição venezuelana precisa agora escolher um candidato capaz de enfrentar Hugo Chávez no pleito presidencial de 2012, disse um dirigente na segunda-feira.

FRANK JACK DANIEL, REUTERS

27 de setembro de 2010 | 20h16

A recém-criada frente oposicionista Unidade Democrática elegeu um terço dos deputados, mas teve maioria dos votos em nível nacional.

O governador do importante Estado de Miranda, Henrique Capriles Radonski, disse que agora a oposição tem condições de construir um movimento social viável e de escolher um líder jovem, que tenha condições de tirar Chávez do poder dentro de dois anos.

"Chávez adoraria que seu adversário em 2012 representasse a velha política, ou que seja um representante da elite", disse Capriles à Reuters por telefone.

Os resultados de domingo mostram que a oposição voltou a dar sinais de vida, após passar anos sem expressão.

Mas ainda há profundas divisões entre políticos mais antigos, que já atuavam na Venezuela pré-Chávez (até 1998), e líderes mais jovens, como Capriles, para os quais os eleitores desejam uma versão mais moderna das políticas sociais oferecidas pelo chavismo.

A ala mais jovem da oposição defende um processo de eleições primárias para escolher o candidato adversário de Chávez em 2012.

"Ninguém pode impedir que o processo de escolha de um candidato presidencial seja feito via uma primária", disse ele, acrescentando que esse processo deveria ocorrer no começo de 2012.

"Se a velha política quiser bloquear isso, vai descobrir que a nova política está preparada para lutar."

Capriles se diz um político de centro-esquerda, e cita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como inspirador. Ele afirma que o setor petrolífero venezuelano deveria permanecer nas mãos do Estado, mas que deveria haver mais respeito pela iniciativa privada.

Apontado como possível candidato a presidente, Capriles não descarta essa possibilidade.

"O projeto de Chávez está chegando ao final do seu ciclo, e os resultados de ontem à noite (domingo) mostram que a maioria dos venezuelanos acha o mesmo", disse ele.

"Precisamos construir um verdadeiro projeto social, não o socialismo de que Chávez fala ... este é um país com uma desigualdade extrema, onde o principal problema é a pobreza."

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