Oposição quer que Chávez passe por exame 'antidoping'

Para direitistas, presidente utiliza folhas de coca para fazer discursos e viagens internacionais

REUTERS

22 de janeiro de 2008 | 20h18

A oposição venezuelana acredita ter encontrado o segredo dos prolongados discursos e das extensas viagens internacionais do presidente Hugo Chávez: "dopar-se" com folhas de coca todas as manhãs. O próprio presidente revelou a prática em meados deste mês, quando pediu durante um discurso ante a Assembléia Nacional para que o movimento cocaleiro, encabeçado pelo líder boliviano Evo Morales, não seja criminalizado. "A coca não é cocaína. Eu mastigo coca todos os dias pela manhã e veja como estou", disse ele, provocando gargalhadas dos ouvintes enquanto mostrava o bíceps. "Evo me manda a pasta de coca. Eu recomendo, recomendo", acrescentou Chávez durante o discurso televisionado. Entretanto, setores da oposição não acharam o comentário engraçado e pediram à promotoria que o acuse de apologia ao consumo de drogas, ao mesmo tempo que exigiu que ele se submeta a um exame de controle toxicológico. "Vamos pedir que se faça um exame toxicológico no presidente da República, como se faz a qualquer pessoa, qualquer jogador", disse o dirigente de oposição Antonio Ledezma, do pequeno partido Alianza Bravo Pueblo. "Mas o mais grave é que é uma apologia ao consumo de drogas quando se exibe como um homem forte, como um homem vigoroso", acrescentou Ledezma. Adversários do governante de esquerda haviam pedido anteriormente à Justiça que obrigasse Chávez a se submeter a exames para comprovar seu estado de saúde mental, mas a petição foi recusada. Fora da região Andina, a coca é conhecida unicamente como matéria-prima para a elaboração da cocaína. Mas para os indígenas locais é considerada uma folha que se mastiga para minimizar o efeito da altitude e aliviar a fome, além de ser empregada na medicina tradicional e em cerimônias religiosas. (Por Enrique Andrés Pretel)

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