Oposição reconhece vitória do 'sim' em referendo na Venezuela

Apesar de admitir derrota, opositores afirmam que resultados foram influenciados pelo vantagismo oficial

Efe,

16 de fevereiro de 2009 | 02h32

A oposição da Venezuela reconheceu a vitória do "sim" à emenda constitucional para a reeleição ilimitada no referendo realizado no domingo, 15, no país, o que permitirá ao presidente Hugo Chávez, ser candidato nas eleições presidenciais de 2012. Veja também:Fidel Castro parabeniza Chávez por triunfo em referendoChávez vence referendo; multidão festeja diante do palácioA dinastia Chávez  Conheça os programas sociais apoiados por Chávez Veja os possíveis cenários criados pelo referendo Processos eleitorais na Venezuela na presidência de Chávez "Somos democratas, reconhecemos os resultados que foram influenciados pelo vantagismo oficial, declarou o dirigente do partido Um Novo Tempo (UNT), Omar Barboza, no que concordaram em entrevista coletiva conjunta os dirigentes de outros partidos opositores à gestão de Chávez. "Deve-se encarar o país e expressar (...) que concorremos e que eles (os chavistas) tiveram mais votos do que os obtidos por nós, isso temos que reconhecê-lo", acrescentou o dirigente do UNT. Apurados 94,2% dos votos, a vitória do "sim" atingia uma margem de 8,73 pontos percentuais, com 54,36% de apoio (6,003 milhões de votos), diante de 45,63% do "não" (5,04 milhões de votos). "Já passamos a barreira dos 5 milhões de votos, enquanto o presidente Chávez continua perdendo apoio (...), o que significa que a alternativa democrática avança" e cedo ou tarde vamos triunfar e impor a vigência plena dos valores democráticos", acrescentou Barboza. O dirigente do UNT - liderado pelo ex-candidato presidencial Manuel Rosales, presente na entrevista coletiva, mas que se absteve de falar - insistiu em que continuarão enfrentando o "projeto totalitário de Chávez", tendo em vista as eleições presidenciais de 2012. Nesse pleito, disse Freddy Guevara, vereador e ex-dirigente estudantil, "ninguém vai ser reeleito e se agora a realidade se impôs, o abuso se impôs (...), não ganharão do futuro nem da esperança". "Desta vez o abuso do Estado se impôs, o nosso dinheiro contra nós mesmos; impôs-se o medo e o engano, o que não voltará a acontecer dentro de quatro anos", acrescentou. Guevara admitiu que Chávez também foi respaldado por quem está enganado e acredita que não existe mais alternativa além do governante, mas prometeu que a oposição edificará uma opção opositora e que a juventude nunca mais permitirá os erros que devem ter sido cometidos, nem que o Estado abuse de seu poder. Tomás Guanipa, do partido conservador Primeiro Justiça (PJ) disse que efetivamente desta vez Chávez obteve uma maior quantidade de votos, mas deverá reconhecer que há uma oposição que não se ajoelha. O deputado ex-chavista Ismael García, líder do Partido Podemos, também incluiu entre os partidários do "sim" "as pessoas que foram confundidas" e as que sucumbiram perante "a demasiada pressão que o governo submeteu ao eleitorado". García destacou que deve-se esperar 2012, quando acredita que Chávez perderá para algum candidato opositor.

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